sábado, outubro 28, 2006

Comboios de Portugal – Uma História com 150 Anos

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Automotora DMV Allan CP 0301V21, com a pintura vermelha

As locomotivas a vapor surgiram em Inglaterra, em 1825. Um comboio da época alcançava 45 km/h e podia fazer centenas de quilómetros seguidos, ao contrário dos veículos de tracção animal utilizados na época. A Revolução Industrial tornou o mundo mais veloz.
Os caminhos de ferro em Portugal foram inaugurados há 150 anos, mais precisamente em 28 de Outubro de 1856, entre Lisboa e o Carregado. Cinquenta anos depois foi concluída a rede ferroviária nacional.
16.12.1906 – Inauguração do Ramal da Lousã, com o percurso Lousã-Coimbra-Lousã.
No espaço de tempo compreendido entre 1907 e 1927 foram feitas várias tentativas para levar o caminho de ferro da Lousã, até Gois e Arganil, empreendimento que nunca foi finalizado, devido à mudança da monarquia para a república, ao deflagrar da I Grande Guerra Mundial, às graves crises económico-sociais que agitaram o início do Século XX e ao «crash» da bolsa de 1929, que teve graves repercussões na economia mundial.
Em 10 de Agosto de 1930 é inaugurado o troço Lousã-Serpins e, apesar dos protestos dos habitantes de Arganil, até hoje a ligação não foi concluída.
Na década de 50 chegou-se a falar da ligação do Ramal da Lousã ao Ramal de Tomar, concretizando a ligação à linha ferroviária nacional, mas, tudo não passaram de meras conjecturas.

Linha da Lousã - Ponte sobre o Rio Mondego

Em Novembro de 1952, graças ao Plano Marshall e outros empréstimos, a CP procedeu à aquisição de 41 automotoras DMV Allan CP 0301V21, com a pintura vermelha, que entraram ao serviço em 1953-1954 e circularam no ramal durante cerca de 50 anos! Estas foram objecto de recauchutagem, nas oficinas da EMEF, em 2000, onde foi reaproveitado o chassis e implementada uma carroçaria moderna de cor verde e o seu interior objecto de modificações, tendo sido introduzido o ar condicionado.

Automotoras Ferrobus (origem espanhola), utilizadas nos ramais da Lousã e da Figueira da Foz


Em 2000, automotora Allan, após a recauchetagem nas oficinas da EMEF

Nos finais dos anos 70, a CP adquiriu à Renfe, automotoras usadas, que acabaram de sair de circulação, pouco tempo depois, após múltiplos problemas!
Em 1996 é constituída a Sociedade Metro Mondego. Hoje, 10 anos depois, o metro ainda não saiu do papel, tendo apenas algumas casas ido abaixo em Coimbra, em obras que não parecem ter fim à vista, como tudo neste país. Desde sempre que a construção deste tem estado envolvida em polémica.
Desde 2005, nalguns horários, a CP introduziu as automotoras que circulavam na Linha da Amadora, permitindo nas horas de ponta o transporte de mais passageiros.


Unidade Dupla Diesel UDD da série 451-99, reabilitadas em 1999, nas oficinas da EMEF

Para a Linha da Lousã estão projectadas obras de remodelação, designadamente de electrificação, para permitirem a circulação de comboios mais rápidos e seguros e a instalação do tram-train (no âmbito da criação do metropolitano ligeiro de superfície em Coimbra e a sua articulação com a rede ferroviária da região). A nova linha terá um comprimento de 37 quilómetros, sendo constituída por dois troços distintos: um urbano/suburbano entre Coimbra B e Ceira e um outro de carácter regional entre Ceira e Serpins.
O Ramal da Lousã é utilizado por mais de 100.000 passageiros por ano e estende-se ao longo de 37 km, em via única, de Coimbra-Parque a Serpins, com passagem por Ceira, Miranda do Corvo e Lousã.
O Ramal tem 3 pontes, da Portela, sobre o Rio Mondego, com 27 metros de comprimento, de Almalaguês, com 25 metros e a de Ceira com 140 metros. Túneis são seis, a saber: Vale de Açor (282 metros), do Toco (60 metros), do Vale Mancabo (112 metros) do Passareiro (125 metros), do Carro (59 metros) e o de Miranda do Corvo (122 metros).
O cruzamento de comboios é feito em Coimbra-Parque, Ceira, Miranda do Corvo, Lousã e Serpins.
O comboio para além de possibilitar o desenvolvimento económico da região, concelhos de Miranda do Corvo e Lousã, possibilitou a expansão destas duas vilas, na década de 90, devido às casas serem mais económicas, do que em Coimbra.
A nível nacional, a CP aposta tudo por tudo na alta velocidade, no TGV, em prejuízo dos pequenos ramais, ponderando a breve prazo encerrar a título definitivo as linhas do Sabor, do Corgo e do Tua, condenando o interior à desertificação humana.
Ao contrário, da restante Europa, onde se investe cada vez mais, no caminho de ferro, relegando o alcatrão para segundo plano, melhorando o traçado, os horários, o material circulante, aumentando o número de composições e a comodidade destas.
Recentemente, a Áustria e a Suiça impuseram barreiras à circulação aos camiões TIR, favorecendo a deslocação de mercadorias através dos caminhos de ferro, por cá encerram-se linhas e cais de mercadorias. O cais de mercadorias de Miranda do Corvo encontra-se encerrado há uns anos e poderá dar lugar a mais alguns prédios a breve prazo, se a pressão imobiliária aumentar de novo.
Tudo deve ser feito para privilegiar os transportes públicos e a poupança de energia, relegando o automóvel pessoal para segundo plano.
Entretanto, a Refer votou os apeadeiros e as estações ao abandono, o vandalismo prossegue e o património de todos nós é todos dias delapidado, exemplo: os belos azulejos da Estação da Lousã, vítima de graffitis.


Rede Ferroviária Nacional em 1952!


«O abandono a que se sujeita a via férrea nacional é apenas um sinal da nossa colectiva perda de memória. Abandonar o comboio significa abandonar parte substancial da nossa história.»

terça-feira, outubro 24, 2006

Alheda, Dueça, Ceira e Mondego – Os Rios da Nossa Memória

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Rio Ceira

O Rio Alheda é um pequeno rio, com 8 quilómetros de extensão. Nasce no Gondramaz e desagua no Rio Dueça, em Miranda do Corvo.
O Rio Dueça é um rio afluente do Ceira. Nasce na Serra do Espinhal, concelho de Penela. A maior parte do seu percurso é feito no concelho de Miranda do Corvo, que atravessa, desaguando no Rio Ceira, em Ceira, a 6 quilómetros de Coimbra.
Ambos, os leitos destes rios secam no verão. No Inverno, os seus caudais engrossam, arrastando lama e água turva. Aqui e ali surgem pequenos casos de poluição provocados por efluentes domésticos e por pequenas unidades agrícolas e industriais.
O Rio Ceira nasce na Serra do Açor, tem um comprimento de 100 quilómetros, desaguando no Mondego, a alguns quilómetros, a montante de Coimbra.

Ecosfera, Jornal Público, de 24 de Outubro de 2006

ou ainda

o link - http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1274433&idCanal=75

O Rio Ceira já apresenta problemas respeitantes ao tratamento de águas residuais (ver notícia na Ecosfera, Jornal Público, de 24 de Outubro de 2006) e por vezes sucedem-se as descargas de efluentes industriais, perto de Foz de Arouce, bem como a poluição provocada por fertilizantes agrícolas e pesticidas letais para a fauna aquática - viveiros industriais localizados nas margens do Ceira.
Por isso não é de estranhar, que a água que se bebe em Miranda do Corvo, apresente por vezes um sabor esquisito (azeite?) e cheire mal, apresentando algumas vezes uma estranha coloração, que nem para cozinhar serve. Quantos de nós já ficámos com os cabelos empastados no banho ou se queixaram que o detergente da máquina não funcionava e tiveram que recorrer ao supermercado para comprar água?
Actualmente, a maior parte da água que ingerimos é proveniente da captação de Segade, no Rio Ceira.


Rio Mondego, Coimbra

O Rio Mondego nasce na Serra da Estrela, em Gouveia, a 1425 metros de altitude, tem como afluentes, o Dão, na margem direita e na esquerda, o Alva, o Ceira e o Arunca.
Entre a nascente e a foz, as águas do Mondego percorrem 220 quilómetros. As suas margens entre Coimbra e a Figueira da Foz, são os terrenos mais férteis de Portugal. Nestes terrenos se produz mais arroz por hectare, em toda a Europa.
Recentemente o Estuário do Mondego (Reserva Ecológica Nacional) viu-se envolto em controvérsia, ao ter sido visado pelo UNEP – Programa Nacional das Nações Unidas para o Ambiente, como «zona morta», devido à falta de oxigenação das suas águas. O principal responsável pela asfixia do estuário do Mondego é o processo de eutrofização em curso e o excesso de fertilizantes agrícolas utilizados pelos rizicultores no Baixo Mondego, favorecendo o aparecimento de algas que vão competir com os peixes pelo consumo de oxigénio, acabando estes últimos por morrer.
O Mondego é mais um exemplo da realidade dos nossos rios. Metade das águas residuais que são lançadas para o rio não tem tratamento.
O Estuário do Mondego (zona húmida) é um dos principais locais de passagem e refúgio utilizados pelas aves migradoras.
O curso do rio Mondego, da Portela para baixo está ameaçado pelo assoreamento e perto da foz pelas empresas que substituíram as salinas, pela aquacultura.
O mesmo, sucede no Ave, no estuário do Vouga, no Lis, autêntico esgoto a céu aberto, nos Estuários do Tejo e do Guadiana.

Quantos recordam com nostalgia, os tempos de infância, numa quente tarde de verão e os mergulhos dados num destes rios. Ou ainda o sabor do peixe de rio frito. Saudades…

sexta-feira, outubro 20, 2006

A Preto e Branco - Parte II




A Preto e Branco – Parte II

Portugal, Século XXI, um país à procura de rumo…
Sem esperança, muitos portugueses, após perderem os seus empregos e em risco de perderem os seus lares, aos 40-50 anos fazem as malas e emigram, tendo como destino: Espanha, França, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Suiça, EUA, Canadá, Austrália, Angola e Moçambique, onde irão recomeçar tudo de novo.
Desalentados, muitos, deixaram de acreditar numa classe política oportunista e mentirosa.
Os aumentos sucedem-se – combustíveis, medicamentos, electricidade (eram para ser 15,7%, agora são só 8,7%), transportes, taxas de juro (empréstimos concedidos à habitação), bens essenciais (alimentação), saúde (aumento das taxas moderadoras: urgências, consultas, internamentos e cirurgias), educação, etc.
A somar a isto tudo mais um rol de aumentos e mentiras.
Muitos interrogar-se-ão quantas Assembleias da República sustentamos nós?
Dirão uma, errado, quatro.
Alguém fez as contas às chorudas reformas dos senhores deputados, ex-presidentes de câmaras municipais, ex-presidentes da república que se encontram reformados ao fim de dois ou três mandados?
Anedota, dirão uns, temos que gramar a pastilha até aos 65 anos ou mais, se calhar quando lá chegarmos não temos reforma, a Segurança Social faliu…
E que dizer dos aumentos de 1,5%, que o Estado pretende dar à Função Pública e a esmola de 6 cêntimos por dia, destinados ao subsídio de alimentação… Uma palavra, ridículo.
Porque não aperta o Ministro das Finanças o cinto a muitos profissionais de renome – médicos, advogados, engenheiros e arquitectos? Porque é que são sempre os mesmos a pagar a crise? Quem, os escravos, os empregados por conta doutrem.
Porque não vai o Estado em cima dos lucros fabulosos dos Bancos e das Seguradoras, interrogar-se-ão outros?
Rigor e contenção, disse o Ministro Teixeira dos Santos, onde?


link - http://www.correiomanha.pt

«O orçamento global para os vencimentos do primeiro-ministro e respectivos 16 ministros regista um aumento de 6,1 por cento face ao montante atribuído para 2006. A soma total da verba prevista para despesas com a rubrica ‘titulares de órgãos de soberania e membros de órgãos autárquicos’, pela qual são pagos os salários dos membros do Governo, ascende, em 2007, a 1 027 348 euros, contra os 967 980 euros orçamentados para este ano.»
in «Correio da Manhã», do dia 21.10.2006

Nas mordomias dos deputados da Assembleia da República, dos gestores públicos, dos Directores da CGD ou do Banco de Portugal, …
Contenção na aquisição de viaturas de titulares de cargos públicos, nas chamadas de telemóveis, nas despesas de viagens de muitos, …
Estabilidade e crescimento, onde?
Nas SCUT, que continuam a ser suportadas por todos nós?
Nos Elefantes Brancos da Ota ao TGV, porquê?
Nos milhões de Euros gastos em missões militares de paz no Estrangeiro, somos o 6º país a nível mundial, com encargos com militares e material no Estrangeiro, será que somos uma potência militar, a quem tudo é permitido?
Nos Edifícios ocupados por Serviços Públicos, em que o Estado paga rendas principescas, quando o mesmo Estado é detentor de imóveis que se encontram vazios há anos (exemplo ver Baixa Pombalina, em Lisboa e Quartéis vazios do Exército, que se encontram espalhados por esse País fora).
Outros interrogar-se-ão, porque é que a TAP dá lucro e a CP não?
Porque é que a maior parte das empresas públicas apresentam resultados negativos?
Depois, há quem se continue a interrogar, porque motivo continuam a ser atribuídos Subsídios de Rendimento Mínimo e outras benesses sociais, a quem não trabalha e nada produz, quando não há dinheiro para pagar as reformas a quem trabalha e faz descontos e estão a ser cerceados aos trabalhadores o acesso à Educação e à Saúde, não dá para entender…
Oitenta anos depois, alguém segue a cartilha do Professor Salazar, esperamos é que não tenhamos que aguentar com 40 penosos anos de ditadura, até que alguma cadeira misericordiosa nos alivie o sofrimento.
Mobilidade querem eles, a precariedade no emprego também e as pessoas não contam?
Há políticos e governantes que querem a diminuição cega dos quadros, apenas para que as empresas privadas dos seus amigos e padrinhos possam ser contratadas para fazer serviços públicos e possam facturar muito…
Alguém fez as contas a quanto paga o Estado a firmas privadas de limpeza e de segurança – duas a quatro vezes mais, se esse serviço fosse assegurado por assalariados contratados para o efeito, pouparia o Estado milhões de Euros – imaginemos esse valor à escala nacional…
E os serviços públicos entregues a empresas de trabalho temporário…
Agora digam lá que tudo vai bem neste país à beira mar plantado, que a crise acabou, que a economia está a crescer…
Acordem!
Estão anestesiados com o choque tecnológico.
Despertem para a vida.


quarta-feira, outubro 18, 2006

«O Peso dos Funcionários Públicos»

«O Peso dos Funcionários Públicos na União Europeia»

Suécia .. 33,3%
Dinamarca .. 30,4%
Bélgica .. 28,8%
Reino Unido ..27,4%
Finlândia .. 26,4%
Holanda .. 25,9%
França .. 24,6%
Alemanha .. 24%
Hungria .. 22%
Eslováquia .. 21,4%
Áustria .. 20,9%
Grécia .. 20,6%
Irlanda .. 20,6%
Polónia .. 19,8%
Itália .. 19,2%
República Checa ..19,2%
PORTUGAL .. 17,9% - Não são assim tantos como querem fazer crer...
Espanha .. 17,2%
Luxemburgo .. 16%

(Dados Eurostat)


Não há pois funcionários públicos a mais. Há sim uma distribuição não correcta, o que faz com que haja sectores em falta e outros em excesso.

Nestes dias, a ideia que mais uma vez a comunicação social vendeu à opinião pública, foi a da necessidade de 200 mil despedimentos na função pública. Resulta que somos o 3º país da U.E. com menor percentagem de funcionários públicos na população activa.

Por exemplo, a reforma administrativa que, sem dúvidas, urge fazer-se, deverá começar por mudar a realidade dos dados que nos indicam que cada ministro deste e de outros governos tem, para seu serviço pessoal e sob as suas ordens directas, uma média de 136 pessoas (entre secretários e subsecretários de estado, chefes de gabinete, funcionários do gabinete, assessores, secretárias e motoristas) e 56 viaturas, apenas CINCO vezes mais que no resto da Europa.

Mais Palavras para Quê?...

quinta-feira, outubro 12, 2006

Energia Eólica – Barata, Limpa e Segura

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Após, a viragem do século XX, nas nações industrializadas disparou o consumo energético e o apetite voraz por energia subiu, desde os pequenos consumidores às super potências.
A procura é maior que a oferta e os preços do barril de petróleo atingiram máximos nunca vistos, desestabilizando mercados e as carteiras dos pequenos consumidores. Petróleo barato já era…


As grandes potências (EUA, Rússia e China) disputam entre si os campos petrolíferos e as suas áreas de influência, aumentando o risco de guerra em zonas do globo já de si instáveis.
Petróleo há para mais 25 anos e carvão para mais 300 anos. O petróleo e o carvão são combustíveis fósseis, sujos e finitos, que em muito contribuíram para o aquecimento do planeta e para o aumento do efeito estufa e consequentes alterações climatéricas que tem afectado todo o globo.
Cientes de tudo isso, em vários países como os EUA, Alemanha, Holanda, Espanha e China tem-se multiplicado as iniciativas, quer estatais, quer privadas, para a obtenção de uma energia barata, limpa, renovável e segura.


Várias experiências tem sido feitas, utilizando várias fontes como o Sol, para produção de energia solar, o calor fornecido pela própria terra, em zonas vulcânicas, energia geotérmica (exemplo: Açores), o vento, para a produção de energia eólica e a biomassa, utilizando detritos vegetais para a produção de gás e de energia eléctrica.
Renovável significa que não se vai esgotar.




Mas, há também quem defenda a opção do nuclear, com o riscos que são bem conhecidos de todos, há que recordar Chernobyl e Three Mille Island.
Desde há 2000 anos, que o Homem tem utilizado a força do vento para moer cereais. Os árabes introduziram os moinhos de vento no nosso país há cerca de 1.300 anos atrás.
As torres e as ventoinhas têm-se multiplicado como cogumelos «invadindo no bom sentido» as nossas serras.


Próximo da Aldeia das Souravas, a 940 metros de altitude, freguesia de Vila Nova, Concelho de Miranda do Corvo foi construído um parque eólico com 13 aerogeradores. Cada torre tem um aerogerador e 67 metros de altura. Este parque produz 66 Gigawatt/hora de energia, o equivalente ao consumo anual de electricidade de 30.000 pessoas.
Em 2006, Portugal produz 6526 Megawatts de electrecidade através das seguintes energias renováveis: eólica, hídrica, biomassa e solar. No Inverno temos para as nossas necessidades e exportamos energia, mas no Verão temos que comprar energia a Espanha e França. Deve-se contar ainda com a energia que é produzida com a queima de carvão em centrais eléctricas, com consequências nefastas para o ambiente.


A energia hídrica ocupa neste momento 4774 MW, seguindo-se a energia eólica, com 1286 MW.
Directrizes comunitárias apontam no sentido de se apostar cada vez mais no sector eólico. Em 2010 tudo leva a crer que a produção de energia eólica ultrapasse a produção de energia hídrica, obtida nas nossas barragens.
Claro, que há sempre um preço a pagar, poderão os puristas dizer que as torres e as ventoinhas são inestéticas e feias. Mas por outro lado há que diminuir a nossa dependência face aos países produtores de petróleo.
Apostar nos parques eólicos significa também equilibrar a balança comercial do país reduzindo os gastos na compra de energia.
O recurso à energia eólica é o que menos impactos negativos têm no ambiente.
O futuro passa pelas energias renováveis, limpas, baratas e seguras.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Uma Colectividade - Clube Náutico de Miranda do Corvo

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Um Desporto, de eleição para muitos, a Natação


O Clube Náutico de Miranda do Corvo foi fundado em 13 de Outubro de 2000 e conta com 6 anos de actividade. Este clube surgiu por iniciativa dos pais e da comissão que o pôs de pé.

Modalidades praticadas: Hidroginástica e Natação.

O Náutico de Miranda do Corvo conta com cerca de 200 atletas e praticantes, com idades compreendidas entre os 3 e os 70 anos. As aulas são ministradas por 5 monitores de natação e os atletas e praticantes encontram-se distribuídos por classes de iniciação, aprendizagem, aperfeiçoamento, manutenção e competição.

Segundo a Direcção, as dificuldades são muitas e os apoios financeiros são escassos. O clube sobrevive com as quotas pagas pelos pais, que não pagam tudo. Pagam muitos, para alguns usufruírem. Mas o que leva tudo é a Natação de competição – deslocações, almoços, seguros, dormidas, inscrições nas provas…
As dificuldades têm sido muitas, mas os resultados alcançados na formação e em competição são animadores e encorajadores.


O Clube Náutico de Miranda do Corvo tem como despesas fixas: o pagamento aos monitores, o aluguer das piscinas – Piscina Municipal (entre 7.000 a 8.000 € anuais).

A actual direcção está empenhada em tudo fazer para melhorar o clube, solicitando a todos, que paguem atempadamente as suas quotas de sócio.

E um conselho a todos os mirandenses, saiam de casa, pratiquem desporto, pratiquem natação…

A Natação em Miranda do Corvo é a mais barata do País, quer para praticantes, quer para atletas e desde já fica um apelo do João Paulo da actual Direcção do Clube Náutico de Miranda do Corvo: - «Aproveitem as condições que o Náutico oferece e a piscina de Miranda do Corvo.»

Horários Disponíveis:
Desde as 17 horas até às 21:15 horas, de segunda a sexta feira.
Das 10 às 12:15 horas, de sábado, conforme o nível de apreendizagem.
Preços:
- Uma aula por semana - 10 € mensais;
- Duas aulas por semana - 13 € mensais;
- Mais que uma pessoa do agregado familiar, têm direito a descontos.

Contactos:
Telefone - 239 530324
Link - http://www.nauticomiranda.com.sapo.pt


Hidroginástica

- Melhora os níveis de força e desenvolve os grupos musculares.
- Tonifica os músculos, torneando braços, pernas e nádegas.
- Aumenta a circulação sanguínea e a resistência do sistema cardio-respiratório.
- Melhora a flexibilidade das articulações.


Natação é a actividade física do homem e de outros animais que consiste em deslocar-se, em meio líquido. Por movimentar praticamente todos os músculos e articulações do corpo, a prática da natação é considerada um dos melhores exercícios físicos existentes.

A natação se insere entre os desportos aquáticos. O objectivo de uma competição de natação é determinar qual o nadador mais rápido. Existe uma série de regulamentos acerca das competições da natação. A regra básica separa o modo pelo qual o atleta ganha impulso na água em quatro estilos diferentes:

crawl
costas
peito
mariposa
medley os quatros estilos de natação em sequência.
Cada um desses estilos tem especificações quanto ao posicionamento do tórax do atleta e ao movimento de pernas e braços. No estilo crawl, por exemplo, o atleta se posiciona com o peito voltado para o fundo da piscina, em posição horizontal no nível da água; os braços saem da água em posição paralela ao corpo, sendo jogados para frente por cima da água, alternadamente (enquanto um é jogado para frente, o outro braço volta para trás por baixo da água) ; as pernas movimentam-se para cima e para baixo também alternadamente. Ao nadar mariposa, o atleta também fica com o peito voltado para o fundo da piscina, mas joga os dois braços ao mesmo tempo para frente e produz um movimento também sincronizado com as pernas, para cima e para baixo. A o nadar de costas, o atleta fica com o peito voltado para cima, e as costas voltadas para o fundo da piscina.
A piscina oficial de competições mede 50 metros em extensão. Deve conter 8 raias, cada uma de 2,5 metros de largura, com um espaço suplementar mínimo de 20 centímetros ao lado das raias externas. A profundidade deve ser igual ou superior a 1,35 metros. A água deve estar a uma temperatura entre 25 ºC e 28 ºC nas competições.


quinta-feira, outubro 05, 2006

Uma Data para Todos Recordarmos


05 de Outubro de 1910 - A Proclamação da República


O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida. Aumentando a contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do centenário da morte de Camões, em 1880 e o Ultimatum inglês, em 1890, foram aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares.
Durante muitos anos pensava-se que só depois de uns dois anos de fome, quando o povo começasse a queimar repartições da Fazenda, houvesse revolução em Portugal.
Em 1910, o País passava fome, os operários faziam greves, nas cidades vivia-se mal e os agricultores e o interior de Portugal estavam na miséria.
A classe média indignava-se com o escândalo do Crédito Predial, com as mordomias do Rei, da Nobreza, da Burguesia endinheirada e com as políticas seguidas pelo governo de então - monarquia constitucional - que tinha sacrificado as políticas de expansão e desenvolvimento do país, a favor da Inglaterra, França e Alemanha.
Um século depois encontramos estranhos paralelismos e a história repete-se mais uma vez, a agricultura está de rastos, a indústria agoniza, o comércio encontra-se nas mãos dos espanhois e das grandes superfícies, o Estado ameaça encerrar serviços públicos. Hoje, o governo de Lisboa sacrifica o País, satisfazendo os caprichos de Bruxelas e as ordens do Banco Central Europeu.
Mas, voltemos ao ano de 1910, nessa altura o País vivia da agricultura, a Indústria praticamente não existia e dalguns proveitos, que vinham de Angola, Moçambique e das restantes possessões ultramarinas. Estava em curso, uma revolução não só de massas, mas também importantes transformações na área dos transportes. O Caminho de Ferro dava os primeiros passos chegando a alguns locais do país. As cidades começaram a ser pecorridas por eléctricos, que vieram substituir os veículos puxados por tracção animal e em Coimbra surgiram as primeiras carreiras de camionetas.
D. Carlos I foi assassinado a 1 de Fevereiro de 1908, D Manuel II deposto a 5 de Outubro de 1910 e exilado com a família real.
Cronologia Breve da Revolução em Lisboa
2 de Outubro - Os republicanos marcam a revolução para a 1 hora do dia 4.
3 de Outubro - Assassinato de Miguel Bombarda.
20 horas - Última reunião dos conspiradores na Rua da Esperança.
4 de Outubro
01:15 - 04:15 - Revoltas no Quartel de Infantaria 16 (Campo de Ourique), Artilharia 1 (Campolide) e Quartel da Marinha.
05:00 - Acampamento da Rotunda.
07:00 - Cândido dos Reis é encontrado morto.
08:00 - 09:00 - Os oficias do Exército abandonam a rotunda.
10:00 - Grupo de 50 manifestantes é recebido a tiro nos Restauradores.
12:30 - 16:00 - Paiva Couceiro ataca a rotunda.
14:00 - Os navios S. Rafael e Adamastor bombardeiam o Palácio das Necessidades.
16:00 - A Marinha bombardeia o Terreiro do Paço.
21:00 - O navio D. Carlos cai nas mãos dos republicanos.
05 de Outubro
Subvelação popular
06:00 - 07:00 Duelos de artilharia na Avenida.
08:00 - 09:00 Insubordinação das tropas no Rossio. A República é proclamada na Câmara Municipal de Lisboa.
Em 05 de Outubro de 1910, a Monarquia deu o lugar à República e à Esperança.

domingo, outubro 01, 2006

Senhor da Serra ... Divino!



Senhor da Serra… Divino!

Em resposta, ao convite efectuado pelo caro amigo Mário Nunes escrevo este texto sobre o Divino Senhor da Serra, o qual faço em jeito de homenagem a uma povoação que me adoptou:

O nome de Senhor da Serra é sem dúvida um baptismo perfeito para um lugar caracterizado pela sua origem religiosa e a sua situação geográfica no alto de uma serra.

Mas o Senhor da Serra não é só um aglomerado de culto religioso, porquanto ali o romper de um dia de verão difere de qualquer outro.

No fim do dia, em forma de poema, assistimos à perfeita harmonia da natureza com o silêncio divino de um por de sol magnífico, abençoado por uma brisa magnífica!

Divino senhor da Serra
Que lá está no cabecinho
Muito calor que lá esteja
Sempre lá bole um ventinho

As origens do Senhor da Serra estão intimamente relacionadas com a imagem do Santo Cristo colocada onde hoje se ergue a cruz da serra.

Todavia, favorecido por este lugar privilegiado, foi construída pelas freiras de Semide uma capelinha, mandada fazer entre 1653 e 1663, a qual serviu ainda para albergar a imagem do Santo Cristo, cada vez mais visitada devido à fama crescente de milagres.

Foi esta afluência de romeiros conjugada com o aumento do número de habitantes que impôs a construção do actual Santuário do Senhor da Serra.

A iniciativa do actual templo pertenceu ao bispo-conde D. Manuel Correia de Bastos Pina, que nomeou a primeira comissão administrativa da capela em 1897. As obras começaram pelas hospedarias (1899-1900). As da igreja iniciaram-se em 1901, estando concluído o corpo da capela e a torre em Agosto de 1904.

A capela é uma obra produto das diversas actividades artesanais que se desenvolveram em Coimbra, no fim do séc. XIX e no princípio do XX, em redor da Escola Livre das Artes do Desenho. O traçado é, ele próprio, uma fusão de elementos neo - góticos e românicos -, com predomínio destes, inspirados nos monumentos de Coimbra.

Tem uma só nave. A torre ergue-se a meio da frontaria, rasgando-se na base o portal e rematando ela em pirâmide. A capela-mor, poligonal, é de tipo nitidamente românico.

Lá dentro podemos apreciar o altar-mor dourado que foi executado pelos alunos da antiga Escola Industrial Brotero em Coimbra sob orientação de João Machado, tal como os belíssimos vitrais, estes sob a direcção do prof. Lapierre.

Outros pormenores de enorme interesse são os azulejos que revestem as paredes, os quais constituem representações de cenas da vida de Jesus, os altares laterais, provenientes Capela da Misericórdia de Coimbra, a pintura do Tecto, obra do pintor Eliseu de Coimbra e o púlpito de pau preto, que constitui uma obra do séc. XVII, originário da Sé Velha de Coimbra.

Outro motivo que justifica a visita ao Senhor da Serra é a oportunidade de provar a célebre chanfana à Senhor da Serra, cuja receita se pensa ter sido criada no mosteiro de Semide: os pastores pagavam os foros com cabras e, como as freiras não conseguiam manter o rebanho e queriam conservar a carne, assavam-na em vinho, também oferecido pelos rendeiros, e juntavam-lhe o louro e os alhos da quinta.

É com o molho e as sobras da chanfana que se confecciona, igualmente, a típica «sopa do casamento», sendo a carne cozinhada em tradicionais caçoilas de barro tapadas com folhas de couve, pois o concelho desenvolveu, nos séculos XVI e XVII, uma próspera industria de olaria de barro vermelho.

Ao Senhor da Serra vai
Gente de toda a nação
Ninguém lá vai que não chore
Da raiz ao coração

Ao Senhor da Serra vai
Gente de toda a comarca
Ninguém lá vai que não chore
Quando o Senhor da Serra se aparta


Visite o Senhor da Serra, garanto-lhe que não se irá arrepender!
Texto da autoria de Santinho Antunes, morador no Senhor da Serra, Semide, em Miranda do Corvo
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