quinta-feira, outubro 05, 2006

Uma Data para Todos Recordarmos


05 de Outubro de 1910 - A Proclamação da República


O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida. Aumentando a contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do centenário da morte de Camões, em 1880 e o Ultimatum inglês, em 1890, foram aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares.
Durante muitos anos pensava-se que só depois de uns dois anos de fome, quando o povo começasse a queimar repartições da Fazenda, houvesse revolução em Portugal.
Em 1910, o País passava fome, os operários faziam greves, nas cidades vivia-se mal e os agricultores e o interior de Portugal estavam na miséria.
A classe média indignava-se com o escândalo do Crédito Predial, com as mordomias do Rei, da Nobreza, da Burguesia endinheirada e com as políticas seguidas pelo governo de então - monarquia constitucional - que tinha sacrificado as políticas de expansão e desenvolvimento do país, a favor da Inglaterra, França e Alemanha.
Um século depois encontramos estranhos paralelismos e a história repete-se mais uma vez, a agricultura está de rastos, a indústria agoniza, o comércio encontra-se nas mãos dos espanhois e das grandes superfícies, o Estado ameaça encerrar serviços públicos. Hoje, o governo de Lisboa sacrifica o País, satisfazendo os caprichos de Bruxelas e as ordens do Banco Central Europeu.
Mas, voltemos ao ano de 1910, nessa altura o País vivia da agricultura, a Indústria praticamente não existia e dalguns proveitos, que vinham de Angola, Moçambique e das restantes possessões ultramarinas. Estava em curso, uma revolução não só de massas, mas também importantes transformações na área dos transportes. O Caminho de Ferro dava os primeiros passos chegando a alguns locais do país. As cidades começaram a ser pecorridas por eléctricos, que vieram substituir os veículos puxados por tracção animal e em Coimbra surgiram as primeiras carreiras de camionetas.
D. Carlos I foi assassinado a 1 de Fevereiro de 1908, D Manuel II deposto a 5 de Outubro de 1910 e exilado com a família real.
Cronologia Breve da Revolução em Lisboa
2 de Outubro - Os republicanos marcam a revolução para a 1 hora do dia 4.
3 de Outubro - Assassinato de Miguel Bombarda.
20 horas - Última reunião dos conspiradores na Rua da Esperança.
4 de Outubro
01:15 - 04:15 - Revoltas no Quartel de Infantaria 16 (Campo de Ourique), Artilharia 1 (Campolide) e Quartel da Marinha.
05:00 - Acampamento da Rotunda.
07:00 - Cândido dos Reis é encontrado morto.
08:00 - 09:00 - Os oficias do Exército abandonam a rotunda.
10:00 - Grupo de 50 manifestantes é recebido a tiro nos Restauradores.
12:30 - 16:00 - Paiva Couceiro ataca a rotunda.
14:00 - Os navios S. Rafael e Adamastor bombardeiam o Palácio das Necessidades.
16:00 - A Marinha bombardeia o Terreiro do Paço.
21:00 - O navio D. Carlos cai nas mãos dos republicanos.
05 de Outubro
Subvelação popular
06:00 - 07:00 Duelos de artilharia na Avenida.
08:00 - 09:00 Insubordinação das tropas no Rossio. A República é proclamada na Câmara Municipal de Lisboa.
Em 05 de Outubro de 1910, a Monarquia deu o lugar à República e à Esperança.

domingo, outubro 01, 2006

Senhor da Serra ... Divino!



Senhor da Serra… Divino!

Em resposta, ao convite efectuado pelo caro amigo Mário Nunes escrevo este texto sobre o Divino Senhor da Serra, o qual faço em jeito de homenagem a uma povoação que me adoptou:

O nome de Senhor da Serra é sem dúvida um baptismo perfeito para um lugar caracterizado pela sua origem religiosa e a sua situação geográfica no alto de uma serra.

Mas o Senhor da Serra não é só um aglomerado de culto religioso, porquanto ali o romper de um dia de verão difere de qualquer outro.

No fim do dia, em forma de poema, assistimos à perfeita harmonia da natureza com o silêncio divino de um por de sol magnífico, abençoado por uma brisa magnífica!

Divino senhor da Serra
Que lá está no cabecinho
Muito calor que lá esteja
Sempre lá bole um ventinho

As origens do Senhor da Serra estão intimamente relacionadas com a imagem do Santo Cristo colocada onde hoje se ergue a cruz da serra.

Todavia, favorecido por este lugar privilegiado, foi construída pelas freiras de Semide uma capelinha, mandada fazer entre 1653 e 1663, a qual serviu ainda para albergar a imagem do Santo Cristo, cada vez mais visitada devido à fama crescente de milagres.

Foi esta afluência de romeiros conjugada com o aumento do número de habitantes que impôs a construção do actual Santuário do Senhor da Serra.

A iniciativa do actual templo pertenceu ao bispo-conde D. Manuel Correia de Bastos Pina, que nomeou a primeira comissão administrativa da capela em 1897. As obras começaram pelas hospedarias (1899-1900). As da igreja iniciaram-se em 1901, estando concluído o corpo da capela e a torre em Agosto de 1904.

A capela é uma obra produto das diversas actividades artesanais que se desenvolveram em Coimbra, no fim do séc. XIX e no princípio do XX, em redor da Escola Livre das Artes do Desenho. O traçado é, ele próprio, uma fusão de elementos neo - góticos e românicos -, com predomínio destes, inspirados nos monumentos de Coimbra.

Tem uma só nave. A torre ergue-se a meio da frontaria, rasgando-se na base o portal e rematando ela em pirâmide. A capela-mor, poligonal, é de tipo nitidamente românico.

Lá dentro podemos apreciar o altar-mor dourado que foi executado pelos alunos da antiga Escola Industrial Brotero em Coimbra sob orientação de João Machado, tal como os belíssimos vitrais, estes sob a direcção do prof. Lapierre.

Outros pormenores de enorme interesse são os azulejos que revestem as paredes, os quais constituem representações de cenas da vida de Jesus, os altares laterais, provenientes Capela da Misericórdia de Coimbra, a pintura do Tecto, obra do pintor Eliseu de Coimbra e o púlpito de pau preto, que constitui uma obra do séc. XVII, originário da Sé Velha de Coimbra.

Outro motivo que justifica a visita ao Senhor da Serra é a oportunidade de provar a célebre chanfana à Senhor da Serra, cuja receita se pensa ter sido criada no mosteiro de Semide: os pastores pagavam os foros com cabras e, como as freiras não conseguiam manter o rebanho e queriam conservar a carne, assavam-na em vinho, também oferecido pelos rendeiros, e juntavam-lhe o louro e os alhos da quinta.

É com o molho e as sobras da chanfana que se confecciona, igualmente, a típica «sopa do casamento», sendo a carne cozinhada em tradicionais caçoilas de barro tapadas com folhas de couve, pois o concelho desenvolveu, nos séculos XVI e XVII, uma próspera industria de olaria de barro vermelho.

Ao Senhor da Serra vai
Gente de toda a nação
Ninguém lá vai que não chore
Da raiz ao coração

Ao Senhor da Serra vai
Gente de toda a comarca
Ninguém lá vai que não chore
Quando o Senhor da Serra se aparta


Visite o Senhor da Serra, garanto-lhe que não se irá arrepender!
Texto da autoria de Santinho Antunes, morador no Senhor da Serra, Semide, em Miranda do Corvo

sábado, setembro 30, 2006

«Pedra Filosofal»


Pedra Filosofal

«Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.»
Pedra Filosofal, poema de António Gedeão

sexta-feira, setembro 22, 2006

A Preto e Branco


A Preto e Branco

Os tempos avizinham-se difíceis para todos os portugueses, sejam eles funcionários públicos ou da privada.
Os da privada perderam o ponto de referência que tinham, vêem a precariedade do trabalho aumentar de dia para dia. Toca a nivelar por baixo, esfregam as mãos de contentes, os empresários, o mercado está mal, não funciona...
O saldo comercial de muitas empresas é negativo e muitas delas encerram as portas, arrastando outras, efeito «bola de neve», abrindo falência, atirando para o desemprego, milhares de trabalhadores, enquanto alguns patrões, se fazem transportar em Ferraris, Mercedes e outros carros topos de gama, altas casas, férias no estrangeiro é o que está a dar...
Os tempos estão maus e a banca não concede tréguas a empregadores e a empregados, absorvendo empresas, terrenos e casas, para onde isto vai?
Entretanto, os Ministros da Economia e o das Finanças, bem como o Governador do Banco de Portugal, vislumbram coisas que ninguém vê, a economia a crescer. Estranho, vêem milagres económicos, onde os não há, contrariando o FMI e a UE.
Para além disso, o PS e o PSD - o Bloco Central descobriu que, os bodes expiatórios são os funcionários públicos e preparam-se para despedir a torto e a direito, entre 75.000 a 200.000 funcionários, afectando serviços essenciais, na Saúde, na Educação e na Segurança Social.
Começaram pelos Centros de Saúde, encerrando alguns, fechando SAPs noutros e preparam-se para encerrar 82 Urgências em Hospitais Públicos.
Estranhamente, o Ministro da Saúde descobriu que os portugueses adoecem por prazer e vai aplicar as taxas moderadoras nos internamentos e nas cirurgias e isto com o fim de moderar consumos!
O Ministério da Educação encerrou 1.500 escolas a nível nacional, afectando o interior do país, favorecendo a desertificação do mesmo, tudo em nome da poupança, do bem-estar social e do progresso? Obrigando as crianças do interior a perfazer dezenas de quilómetros, por dia, tudo isto, em zonas de difícil acesso e com poucos transportes. Meros amendoins...
Não contentes com isto, preparam o assalto à Segurança Social, as Seguradoras estão à bica e até já há empresários que pretendem reduzir as suas contribuições para a Previdência Pública.
E lá preparam eles, mais outro acordo às escondidas, para satisfazer clientelas políticas - as Seguradoras e os Bancos.
Porque não explicam as seguradoras, que nos EUA há pessoas que não tem direito à assistência médica, acesso aos Hospitais e a reformas?
Socialistas apelidam-se eles, há muito deixaram o socialismo na gaveta, cederam aos interesses do grande capital e entregaram-se na mão dos banqueiros, dos oligarcas das grandes companhias, tudo em nome dos cifrões, em detrimento do povo, da massa anónima, governando à direita, como nenhum governo o tinha feito até então.
Perseguindo e amedrontando sindicalistas, movendo processos disciplinares, promovendo aposentações compulsivas. Voltamos ao tempo da outra senhora com perseguições políticas. Só falta arranjar a PIDE, o Tarrafal e as prisões políticas
Cozinharam um pacto na justiça, vão encerrar Tribunais de Comarca, reagrupando-os em 18 circunscrições, dificultando a vida a quem vive no interior.
Em vez de se descentralizar serviços, toca a centralizar tudo...
Tudo em nome da poupança... Há já serviços públicos, que nem sequer tem dinheiro, para pagar a conta da água, da electricidade, do telefone. Grave, gravíssimo...
Ponderam as cabecinhas iluminadas, fundir e encerrar serviços das Forças de Segurança, tudo em nome da Segurança, de todos nós...
Mas, porque não contêm eles os números de ministros, de secretários de estado, de deputados, dos gestores das empresas públicas, bem como os Directores do Banco de Portugal e da CGD, acabando com as suas mordomias, com as suas reformas douradas...
Porque não restringem eles algumas obras dalgumas autarquias ou dos governos regionais, que são um autêntico sorvedouro de dinheiro público.
Se é assim, porque construíram eles - PS/PSD: o Centro Cultural de Belém, a Expo 98, os 10 Estádios do Europeu de futebol e se preparam para prosseguir com mais dois elefantes brancos, a saber, a OTA e o TGV.
Porque os utilizadores das SCUT não pagam portagem?
Agora quem paga são os funcionários públicos, os serviços públicos, qualquer dia está tudo na mão dos privados.
Em 32 anos de democracia, alguém pediu contas aos políticos que governam este país? Ou aqueles que as aprovam na Assembleia da República?
32 anos depois, os ideais de uma revolução traída, alguém deixou o socialismo na gaveta....

quinta-feira, setembro 21, 2006

Leituras: «O Triunfo dos Porcos»


Um Livro: «O Triunfo dos Porcos», da autoria de George Orwell, da editora p&r - perspectivas e realidades


«Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros»


Animal Farm (O Triunfo dos Porcos) é um romance alegórico da autoria de George Orwell.

É, acima de tudo, uma sátira ferozmente crítica da Rússia Soviética e do autoritarismo, tanto sob a figura do capitalismo, como do socialismo, mas é também uma alegoria sobre todas as revoluções. Foi publicado pela primeira vez em 1945 e como, nessa altura, a URSS era aliada a Inglaterra, o autor teve alguma dificuldade em publicar o livro.

O Triunfo dos Porcos conta também com uma adaptação para o cinema, produzida em 1999 e dirigida por John Stephenson.

Contado por um narrador neutro na terceira pessoa, passa-se numa quinta algures em Inglaterra. Esta localização indefinida é o primeiro passo para tornar esta fábula universal.

Eric Arthur Blair (George Orwell) nasceu na India em 1903 e foi um dos escritores mais influentes do século XX. Escreveu entre outros livros: «1984», « Homenagem à Catalunha» e «Os Dias da Birmânia».

Combateu na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), ao lado dos republicanos, anarquistas e comunistas, contra os nacionalistas de Franco, apoiados por Adolf Hitler e Mussolini. Foi ferido em combate.

Ele tornar-se-á num rebelde, constantemente crítico. Morreu de tuberculose, na miséria, em 21 de Janeiro de 1950, em Londres.

sábado, setembro 16, 2006

Você, disse Urgente? - Parte II



Ainda, a propósito das Urgências

Um, ..., cinco, ..., dez, ..., vinte, ..., trinta, ...., quarenta, ...., cinquenta, ..., sessenta minutos, podem fazer a diferença entre estar vivo ou morto.
Os primeiros socorros anteriormente prestados a meio da noite, no SAP do Centro de Saúde de Miranda do Corvo, a doentes com sintomas de AVC ou de enfartes de miocárdio ou ainda a vítimas apresentando hemorregias, em consequência de acidentes de viação e de trabalho, por certo que ajudaram a salvar vidas e fizeram sempre a diferença entre a vida e a morte.
E, por certo que os médicos e o pessoal de enfermagem aliviaram ao longo deste tempo, as dores a quem padecia de uma cólica renal, vulgo «pedra nos rins» ou de outras maleitas.
Como será se ocorrer um surto de gripe ou de outra doença provocada por um vírus contagioso?
Vamos entupir as urgências dos HUC?
Disporão os Bombeiros Voluntários de Miranda do Corvo de meios humanos e materiais para o efeito? Não apresentarão as ambulâncias o desgaste material dos últimos meses?
Terá o Estado em dia as contas com os Bombeiros?
E como será numa noite de inverno, o trajecto entre a sede do Concelho, os lugares e os HUC? Atribulada, por certo...


Todas estas questões passarão por certo, pela cabeça dalguns mirandenses que viram o SAP de Miranda do Corvo encerrar as suas portas, durante a noite e com a complacência de toda uma sociedade que pouco fez para o evitar.
Agora, interrogamo-nos se ter-se-à realmente feito tudo para evitar o enceramento do SAP de Miranda do Corvo?
Não houve procedimentos cautelares interpostos em Tribunais, recursos administrativos e o insurgimento de toda uma população, para defender aquilo que é nosso, à semelhança do ocorrido noutras localidades.
Uns dirão que são questões de pormenor, outros que são meros amendoins ou já nada havia a fazer, eles encerram tudo...
Certo, certo é que as pessoas não são números e não podem ser sacrificadas em nome da lógica econimicista de contas feitas em Lisboa e Bruxelas. Se há derrapagem de contas, tem que se começar a pedir contas públicas aos responsáveis e estes serem devidamente responsabilizados.
Se o sector público não funciona é altura de não colocarmos a cabeça na areia, como a avestruz e procurarmos outras soluções alternativas que não penalizem mais os mirandenses...
Porque não, um Hospital Privado, como por exemplo, o do Avelar, com urgências funcionais 24 horas, bloco operatório, consultas médicas, especialidades diversas, internamento a funcionar, dotado do equipamento de diagnóstico e análises essenciais, incluindo R/X.
Sacrilégio dirão uns, heresia, os outros. Mas, o SAP está fechado e é necessário fazer alguma coisa.
Pensando melhor, porque não?....

quarta-feira, setembro 13, 2006

Cenários Dantescos

(Clique duas vezes com o botão do lado esquerdo, do rato no título)

Azinheiras, Carvalhos, Castanheiros, Cedros, Ciprestes, Choupos, Oliveiras, Pinheiros Bravos, Pinheiros Mansos e Sobreiros davam outrora o tom à Floresta Portuguesa.


Desde o século passado, a pouco e pouco foram gradualmente substituídos, primeiro, por pinheiros e depois, nos finais da década de 70, por eucaliptos, provenientes da Austrália.


Bruscamente, a paisagem rural e florestal, em Portugal sofreu profundas alterações, os campos foram abandonados, os camponeses buscaram melhores condições de vida nas cidades, a desertificação humana avançou no interior do País, a agricultura de subsistência deu lugar à exploração intensiva dos solos e à exploração florestal mecanizada. As celuloses e os madeireiros compram a pouco e pouco, as pequenas parcelas aos agricultores. As Florestas deixam de ser limpas, ficando entregues ao mato.

E para cúmulo, quando é urgente preservar a Floresta, manter viva, cada árvore em pé, elas são os pulmões do nosso planeta, absorvem o dióxido de carbono e libertam Oxigénio, ajudam a refrescar a temperatura, protegem o solo da aridez e da erosão, fixam a água no solo. Eis que surge o FOGO destruidor, fruto de mãos criminosas, pondo em perigo, vidas humanas, casas e haveres, sacrificando vezes sem conta, os bombeiros, que todos os anos lutam contra o fogo com estoicismo e bravura.


Para além duma legislação mais eficaz e punitiva sem dó nem piedade para com os incendiários era necessário investir em Educação Ambiental, quer nas nossas escolas, quer na sociedade civil.
Após o fogo, fica a devastação, serras calcinadas e desprovidas de vegetação sem vida, o verde belo dá lugar ao negro horrível, o solo fica empobrecido, a aridez e a erosão dos solos aumentam, pois a cobertura vegetal desapareceu e todos os anos milhares e milhares de hectares de floresta desaparecem nos fogos estivais.


Os meteorologistas já avisaram, perspectivam-se em breve, sérias alterações climáticas e iremos pagar bem caro a factura, a temperatura global irá subir 5º C, o deserto avançará para norte, os recursos de água doce irão diminuir, o mar irá subir uns 200 metros, até ao final do Século XXI e a orla costeira irá desaparecer tal como a conhecemos.


É urgente rever a política de utilização de solos, da floresta portuguesa e dos recursos naturais que devemos enquanto espécie de defender a todo o custo, pois a nossa sobrevivência, amanhã estará em causa.



terça-feira, setembro 12, 2006

Leituras: «Cavaleiros Negros»


Um Livro - «Cavaleiros Negros - A Ofensiva Sangrenta sobre Bagdad»,
da autoria de Oliver Poole, Colecção Os Afluentes da Memória, Editora Ulisseia, preço 12,39 €

Cavaleiros Negros é um testemunha em primeira mão sobre o que foi a vida na linha da frente do primeiro grande conflito do século XXI. Escrito pelo único jornalista britânico autorizado a acompanhar as tropas dos EUA, o livro descreve sem artifícios o que foi a realidade da guerra, e também o modo como ela foi vivida pelos soldados que a travaram.

A companhia mista de cavalaria e infantaria conhecida pela designação «Cavaleiros Negros» foi uma das primeiras unidades da Terceira Divisão de Infantaria norte americana a entrar em combate, quando apenas doze horas após ter atravessado a fronteira do Koweit, participou na tomada do aeroporto de Talil. Cerca de 1300 quilómetros mais à frente e quase um mês mais tarde, a mesma companhia serviu de vanguarda a uma coluna que abriu caminho através das unidades da Guarda Republicana de Saddam Hussein, e conseguiu progredir desde a parte oeste até ao centro de Bagdad.
O autor oferece-nos nesta sua obra aquela que é provavelmente a mais impressionante descrição da segunda guerra do Iraque.

segunda-feira, setembro 11, 2006

«Imagina»

(Clique duas vezes com o botão do lado esquerdo, do rato no título)


«Imagina»


«Imagina que não há paraíso,
É fácil, se tentares.
Que não há inferno por baixo de nós,
E acima de nós só o céu.
Imagina toda a gente
A viver a hora presente

Imagina que não há países,
Não é difícil
Ninguém para matar ou por quem morrer,
Nem sequer há religião
Imagina toda a gente
A viver a vida em paz...

Podes dizer que sou um sonhador
Mas olha que não sou o único
Espero que te juntes a nós um dia
E o mundo há-de ser um só

Imagina que não há propriedade
Pergunto-me se o consegues
Nenhuma necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de homens
Imagina toda a gente
Compartilhando o mundo inteiro»


5 anos após 11.09.2001, transcrição do poema Imagine, da autoria de John Lenon


Dêem uma oportunidade à paz!

domingo, setembro 10, 2006

Espinhal - XVII Feira do Mel


Espinhal – XVII Feira do Mel


Realizou-se no passado dia 03 de Setembro de 2006, na Vila do Espinhal, localizada a 13 km de Miranda do Corvo, a XVII Feira do Mel, organização conjunta da Junta de Freguesia do Espinhal, Câmara Municipal de Penela e Associação Serramel.

As ruas foram percorridas, logo de manhã, pela Sociedade Filarmónica do Espinhal.

Seguindo-se um desfile de mais de 60 calhambeques, alguns deles do início e meados do século XX.

Trinta expositores de Mel (acondicionados em curiosas barraquinhas) e 2900 litros de mel vendidos. Mas, para além do Mel havia ainda, aguardente de Mel e Licor de Mel. Foram ainda transaccionados enxames de abelhas e fatos de apicultor.

Para além disso, eram expostos os produtos tradicionais do Concelho de Penela: Vinhos de Podentes («Porta da Traição» e Terras de Sicó»); Queijos do Rabaçal; Rendas de Bilros, Tapetes, Cestaria Tradicional, Tapetes e Rendas de Bilros.

Havia ainda um Pavilhão da Associação de Jovens do Espinhal, onde se encontravam expostas várias fotografias da Freguesia do Espinhal, tendo aquela Associação realizado um filme vídeo e o exibido, em destaque: a Ribeira da Azenha, as cascatas da Pedra da Ferida, um moinho em funcionamento em Pé do Estio a Vila do Espinhal e demais espaços rurais envolventes.

Realizou-se ainda a feira tradicional, que no Espinhal, se realiza ao Domingo, com tendas com calçado e roupas. No Mercado vendia-se carne, peixe e legumes.
O cheiro a farturas era intenso, assavam-se frangos e febras no carvão.

Após o almoço, seguiu-se uma animada tarde de cariz etnográfico, bem como uma corrida de bicicletas (grande premo Abimoto).

sexta-feira, setembro 08, 2006

«Liberdade»


«Liberdade»

Liberdade é...
Respirar e voar
Sem rumo certo
Em constante movimento
Pausa, falar, gritar
Soltar a voz da alma sem receio
Com a liberdade que nos dá ar
Ser gente que sente
Pássaro que voa
Peixe que nada
Longe do mundo que se ressente
Fechado em armadilha
Precipício e carapaça
Distante da verdade, caído na mentira.
Fulgor que nos trespassa
Livre como o canto
Expressão da pintura
Imaginação dos palcos abertos
Amor da poesia.
Soltar a voz que te corre no sangue
Aquela sem cor
Ou semelhante
Aquela que é tua
E cheira a universo
Constelações
Mundo paralelo
Encanto, pouso, ninho de andorinha
Sem cores e de todas as cores,
sem raças
Na igualdade do sangue
Sem diferenças ou ameaças
Sem rancor ou agonias
Almas iguais que se cruzam entre si
Ondas, sereias e lendas
Revestes da natureza
Solta-se a brisa
Do tamanho da nossa saudade
Tão cheia de ar
Hoje tão cheia de liberdade!

Poema enviado por Joana Sousa Freitas

quarta-feira, setembro 06, 2006

Uma Nova Dinâmica para o Mercado Municipal de Miranda do Corvo


Uma Nova Dinâmica para o Mercado Municipal de Miranda do Corvo


Comerciantes, feirantes e consumidores desejam a abertura do Mercado Municipal de Miranda do Corvo e a extensão da feira ao Sábado.
Não nos devemos esquecer que a outrora vila pacata de Miranda do Corvo se transformou num imenso dormitório de Coimbra, dando a vila e seu concelho guarida a cerca de 14.000 habitantes, segundo o INE, mas há muita gente que nem sequer está recenseada no concelho.
A grande maioria destes trabalham em Coimbra e não tem possibilidade de pedir aos seus patrões dispensa às Quartas-feiras, para vir à feira a Miranda do Corvo.
Recordam os comerciantes com saudade, os dias de feira, em que estas coincidem com feriados ou com períodos de férias (meses de Agosto e Dezembro), em que o Mercado enche de tal forma que mal se pode romper com tanta gente, sendo dias de bom negócio, quer para comerciantes, quer para consumidores.
Evitando assim o incómodo dos consumidores de se deslocarem para os concelhos limítrofes: Lousã, Coimbra e Condeixa-a-Nova, às compras.
Na Lousã e em Condeixa-a-Nova, a feira para além de se realizar à semana, também se realiza ao sábado, abrindo os respectivos municípios os seus mercados semanais nesse dia. Para já não falar na Vila do Espinhal, que passou a feira semanal de Segunda-feira, para o Domingo, com assinalável sucesso e onde as iniciativas culturais se tem sucedido, a par com a feira semanal.
Entendem ainda os comerciantes e feirantes que a abertura do Mercado Municipal e a extensão da Feira ao Sábado, será a única forma dos pequenos comerciantes fazerem face ao avanço das grandes superfícies comerciais: Mini Preço, Lidl e Doce Mel e ainda quando se perspectiva para breve a abertura do Intermarché, em Miranda do Corvo.
O Comércio tradicional desespera face à concorrência e muitas das pequenas mercearias já fecharam as portas.
Se esta iniciativa vingar deverá ser devidamente publicitada, para que possa ser coroada de êxito.


sábado, setembro 02, 2006

Perguntas de um Operário Letrado


Bertolt Brecht (1898-1956), poeta e dramaturgo alemão


«Perguntas de Um Operário Letrado»
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

Poema de Bertolt Brecht, enviado por Maria Conceição Cunha, em 02.09.2006

sexta-feira, setembro 01, 2006

Você disse Urgente...?


Você disse Urgente...?



Em comunicado, a Administração Regional de Saúde do Centro informou os utentes, que a partir de sábado, os centros de saúde de Miranda do Corvo, Lousã e Penela passariam a funcionar semanalmente das 8h00 às 22h00 e das 10h00 às 18h00 aos fins-de-semana e feriados. “Na mesma data, cessará a actividade do SAP, ficando assegurado pelos médicos de serviço no citado horário, o atendimento das situações clínicas agudas do âmbito do ambulatório”, lê-se no comunicado. Segundo a ARSC, “os casos urgentes ou emergentes terão adequada resposta nos Serviços de Urgência do Hospital da Universidade e do Centro Hospitalar de Coimbra, com boa acessibilidade pela sua proximidade geográfica, aliada à disponibilidade do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (112), bem como dos serviços de transporte de doentes urgentes pelo INEM, Bombeiros e outras entidades competentes”. Os doentes do Centro de Saúde de Penela serão transportados para o Hospital dos Covões.

Há quem diga que não engole sapos, mas nas Autárquicas passadas engoliu sapos bem vivos e gordos, quando a questão poderia ter sido levantada em tempo de eleições, em momento oportuno, poderia ter sido apresentada aos eleitores dos concelhos de Miranda do Corvo e da Lousã. Tardiamente toda a gente acordou para o problema....

Mas como estamos num país de brandos costumes desbaratam-se milhares de euros numas urgências, para as depois encerrar meses mais tarde....


Muitas questões ficam já no ar a pairar:
- Entre as 22 horas e as 08 horas da manhã, será que os Bombeiros Voluntários de Miranda do Corvo, tem capacidade de resposta, quer em termos humanos, quer em termos materiais - ambulâncias, de transporte de vários doentes aos HUC?

- Haverá táxi e transportes a meio da noite para o efeito?

- Estarão as estradas concelhias e nacionais em boas condições, para permitir o acesso a meio da noite, a doentes que inspiram cuidados médicos? E em dias de chuva, como será? Quantos acidentes de viação ocorrerrão? As cabeças iluminadas que não conhecem o concelho e as suas estradas, se calhar não fizeram a conta real da situação.

- Com a implamentação do Código de Manchester nos HUC, quanto tempo vamos esperar para sermos vistos pelos médicos das Urgências daquele Hospital? Horas a fio....



Progresso ou Retrocesso, quando uma das grandes conquistas de Abril de 1974 - O Sistema Nacional de Saúde, vai por água abaixo...

Noutros tempos, a ONU contabilizava o ratio de desenvolvimento humano pelo nº de camas hospitalares ou o nº de médicos por mil habitantes, agora está-nos destinado o fundo da tabela, ao qual já vamos estando habituados.

As pessoas não são números, mas disto se esquecem todos aqueles que nos representam....

Em vez de encerrarem Centros de Saúde, que dizem que não dão lucro, porque não reduzem eles, o número de ministros ou de deputados na Assembleia da República, passando de 230 para 100? Será que não chegavam?

Muitos milhões de euros poupariam por certo ao país sem sacrificar as populações locais.

Ou será que um belo dia, quando acordarmos, o Centro de Saúde é privatizado, com consultas, centro cirurgico, especilidades médicas variadas, internamentos e cuidados ambulatórios, tudo em nome do lucro fácil.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Espaço Aberto - Uma Nova Miranda, a alternativa em blogspot...

Espaço Aberto - Uma Nova Miranda, a alternativa em blogspot...

Este é um espaço aberto, livre, sem grilhetas, nem amarras e mordaças. Aberto a todos aqueles que não se revêem partidariamente, nas forças políticas, que representam ou pretendem representar a sociedade mirandense.
É um espaço apartidário aberto a todos aqueles, que têm opinião e que se pretendem manifestar, goste-se ou não...
Não aceitamos ser manipulados, nem nos deixaremos instrumentalizar por ninguém. Aqui não há correntes, nem verdades ocultas, em que as páginas e as fotografias desaparecem do Grande Livro da História a bel prazer de uns e de umas. É tempo de se acabarem com todas as mordaças.
A partir de hoje, este espaço está aberto a todos aqueles, que nele queiram participar.



Este é um espaço aberto, livre, em que a aragem sopra da montanha, percorrendo os campos, os lugares, as vilas do nosso concelho. Sente-se o cheiro dos pinheiros e impera o verde e o azul, predominantes nesta paisagem.

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