domingo, dezembro 16, 2007

Empréstimo de 5,5 milhões de euros para meter “tram-train” na linha





Há quem não acredite…
Mas a primeira página do Diário de Coimbra de ontem e a manchete – a seguir reproduzidas na íntegra, parecem não deixarem dúvidas…
A ver vamos…


«A aprovação de um empréstimo de cerca de 5,5 milhões de euros e do plano estratégico para os próximos três anos foi decidida pela Assembleia-Geral da Metro Mondego. Agora, o objectivo passa por meter o “tram-train” na linha

A aprovação de um empréstimo a rondar os 5,5 milhões de euros, assim como do plano estratégico para os próximos três anos, foi ontem alcançada na Assembleia-Geral (AG) da Metro Mondego (MM). Desta forma, a implementação do “tram-train”, sistema de transporte ferroviário constituído por um veículo que pode circular tanto em zona urbana, como numa linha ferroviária, entre Coimbra e Serpins, até 2012, ganha novo impulso. Os orçamentos de 2007 (em atraso) e de 2008 também foram aprovados.
Álvaro Maia Seco, presidente do Conselho de Administração da MM, revelou, à saída da reunião onde marcaram presença os representantes das três autarquias envolvidas – Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã – e do Estado, que «o grau de confiança só tem razões para estar reforçado», rebatendo, desta forma, a eventual irreversibilidade sobre o projecto deste novo sistema de transporte, que, ao longo dos anos, tem sofrido sucessivos avanços e recuos.
Custear diversas expropriações, aquisições de terrenos e obras realizadas em terminais junto às estações, além do programa de 2008, que tem contemplada uma dotação do Orçamento de Estado superior a quatro milhões de euros, quase o dobro das transferências em 2007, são algumas das tarefas a concretizar com a verba do empréstimo aprovado. A AG realizada ontem tinha sido suspensa no passado dia 27, a pedido do accionista Estado, para poder dispor de mais alguns dias para analisar os documentos estratégicos.
Com a aprovação – por unanimidade – deste conjunto de documentos estratégicos, há, segundo Álvaro Maia Seco, «condições para se concretizar a programação», que aponta para o estabelecimento do metropolitano no ramal ferroviário da Lousã em finais de 2010 e no traçado urbano de Coimbra em finais de 2012. No início de 2008 será lançado um concurso para os trabalhos a iniciar no Verão no ramal que liga Coimbra a Serpins, no concelho da Lousã, com passagem por Miranda do Corvo.

Circulação interrompida
ao longo de dois anos

Devido aos trabalhos na via, a circulação entre Coimbra e Serpins vai estar interrompida ao longo de dois anos, pelo que a solução passa por um transporte alternativo rodoviário. Os processos para a libertação do “canal” através da zona histórica na Baixa de Coimbra, com as aquisições ou expropriações de edifícios, seguindo-se as intervenções de requalificação necessárias em conjugação com as actividades camarárias e da Sociedade de Reabilitação Urbana, entidade criada entre o Estado e a autarquia, deverão ficar concluídos até ao final deste ano, início do próximo. Este processo deverá terminar quando for lançado o concurso público internacional do «canal de metropolitano até aos Hospitais da Universidade de Coimbra [HUC]», no próximo ano, para estar a funcionar em 2012. A intervenção no ramal ferroviário Coimbra-Serpins, outra vertente do projecto, a iniciar em 2008, para ficar concluída em 2010, teve, esta semana, a consignação de uma intervenção incluída no programa de acção.
A empreitada para a construção da interface rodo-ferroviário de Miranda do Corvo foi consignada, esta semana, por 816 mil euros. A obra contempla a requalificação da rede viária adjacente à futura estação ferroviária da sede de concelho e prevê a criação de estacionamentos, de vias de acesso e de zonas de circulação pedonal. Segundo Álvaro Maia Seco, nos próximos dias será consignada idêntica empreitada para a estação da Lousã e, de seguida, para a de Ceira.
«Em 2012 espera-se que esteja em funcionamento o troço entre Coimbra e Serpins, a aproveitar o ramal ferroviário, e o troço urbano até aos HUC, projecto que custará mais de 300 milhões de euros, o maior empreendimento público lançado nesta zona», acrescentou o presidente do Conselho de Administração da MM.
Álvaro Maia Seco acredita que a instalação do metropolitano se concretize no prazo programado, embora admita que pela natureza das intervenções, nomeadamente em centros urbanos, com expropriações e trabalhos técnicos para cumprir a legislação em vigor – ambiental, arqueológica ou patrimonial – possa haver alguns atrasos. «O que estou determinado é a fazer bem feito. Se houver atrasos cada entidade terá de assumir as suas responsabilidades», concluiu.

À espera que seja desta

«A obra começa a avançar», revelou Fernando Carvalho, presidente da Câmara Municipal da Lousã, apresentando a consignação da obra da interface da Lousã, prevista para o próximo dia 27, a exemplo do sucedido, esta semana, em Miranda do Corvo, como prova de que «as coisas estão a andar e vão concretizar-se».
Após apelar à compreensão dos utilizadores da actual linha entre Serpins e Coimbra, durante os dois anos em que a circulação vai estar interrompida, o autarca anunciou que «tudo isto vai trazer muitas vantagens». «Temos de pedir alguns sacrifícios aos utentes, mas, depois, vão ter um serviço de qualidade e assistir à concretização de um projecto com mais de uma década», concluiu.
Contactado pelo Diário de Coimbra, Carlos Encarnação falou numa «renovação do projecto, de acordo com os parâmetros definidos». O presidente da Câmara Municipal de Coimbra destacou o «atraso de dois anos» em relação ao que foi «assumido e prometido, publicamente, pelo ministro Mário Lino e a secretária de Estado Ana Paula Vitorino».
«Agora, é preciso que tudo corra bem», confidenciou Encarnação, ainda antes de considerar que 2008 vai corresponder a um «período crítico», uma vez que «o lançamento do concurso e a exploração são a parte mais difícil» de concretizar, de forma a que o projecto do “tram-train” seja «finalmente uma realidade».»
In Diário de Coimbra, 15.12.2007




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