terça-feira, agosto 18, 2009

Agrupamento dos Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte I


Em Março deste ano, um blogger amigo, de Oliveira do Hospital, o Nuno Oliveira, do OHpositivo - http://ohpositivo.blogs.sapo.pt/

- , a quem eu presto homenagem, chamou-me a atenção, para a criação dos Agrupamentos dos Centros de Saúde – Conforme consta das Portarias nº 273/2009 e 274/2009, publicadas no Diário da República, I Série, nº 54, de 18.03.2009 e em particular para o Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Norte I, do qual fará parte, o Centro de Saúde de Miranda de Corvo – Confesso-vos que inicialmente não liguei, mas agora parece que não é bem assim, as coisas vão para a frente.



Com a extinção de todas as sub-regiões de saúde integradas na Administração Regional de Saúde do Centro, e com a entrada em vigor das Portarias nº 273/2009 e 274/2009, de 18 de Março editada em Diário da República e com efeito a 1 de Março, que visa a criação dos agrupamentos dos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde, os quais foram abreviados por ACES, a área geográfica do Agrupamento já acima identificado, passa a incluir os seguintes Centros de Saúde: Arganil, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Tábua e Vila Nova de Poiares.

Não sei com que argumentos mas, a sede deste Agrupamento ficará localizada na Lousã (inicialmente). Mas agora, parece que assim não o é e que vai mesmo, para Arganil. Por questões de centralização geográfica não o é de certeza.

Pelos vistos, uns mexem-se, outros não.

Tão grandes e cada vez mais tão pequeninos. Como alguém dizia: "muita parra e pouca uva".

Bem, pelo menos e por enquanto ainda nos vamos congratulando com o nosso Centro de Saúde existir localmente. Mas com este andar... até quando não sabemos!

Chego à conclusão de que começamos a ser a "ovelha negra" deste distrito.

Então ontem com o comunicado da Comissão Municipal de Saúde, da Câmara Municipal de Miranda do Corvo tocaram as campainhas, isto é de mais – ver post publicado neste blogue «Doentes de Miranda assistidos em Arganil só pode ser loucura» – para não falarmos das vias de acesso entre Miranda do Corvo e Arganil. Conhecerão as brilhantes cabeças que delinearam os Agrupamentos, as estradas entre as diversas localidades?

A ver vamos se este tema é tocado nas Autárquicas, porque os mirandenses e aqueles que gostam de Miranda do Corvo, tem sido esquecidos por quem gosta de andar em querelas políticas, perdendo-se em «fait divers». Ainda mais, quando há candidatos que são perfeitos desconhecidos e nem sequer são do concelho.

Não há dúvida que para os governantes e políticos que estão na capital, que Portugal é Lisboa, o Porto e o Algarve, o resto é paisagem...

Cambada de líricos.



12 comentários:

Anónimo disse...

Caro Mário,

“Pelos vistos, uns mexem-se, outros não”.

Não percebi a sua intenção. Por acaso está a insinuar que existiu favorecimento partidário? Arganil é uma câmara PSD. Portanto, não existe, nem existiu, qualquer favorecimento partidário.

Quanto aos SUB e aos critérios, de racionalidade e técnicos, convinha conhecer melhor do que se fala antes de emitir opinião.

Recomendo vivamente a leitura: do Relatório final da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências (http://www.portaldasaude.pt/NR/rdonlyres/ED296AAA-09E2-44E5-863B-8BB7FEFECE29/0/RelatorioFinalUrgencias.pdf) onde os critérios estão mais do que definidos; o Despacho n.º 727/2007. DR 10 SÉRIE II de 2007-01-15 (http://www.sg.min-saude.pt/NR/rdonlyres/A110CE46-A607-4BD1-AB82-BE86B31314C3/17855/0112301124.pdf) onde é definido o SUB.

Convinha também, já agora, perceber como os diferentes níveis de cuidados de urgência se articulam entre si.

Acha sinceramente que face aos acessos que existem entre Miranda do Corvo e Coimbra se justificava um SUB em Miranda do Corvo?

“comunicado da Comissão Municipal de Saúde, da Câmara Municipal de Miranda do Corvo”

Este comunicado é mais um exemplo da perfeita demagogia política e de perfeita irresponsabilidade. De todos os envolvidos sem excepção. Por acaso algumas das alminhas da comissão leu o documento de requalificação das urgências e percebeu o que está em causa? Não me parece. Comunicados deste teor apenas servem para a trica política e não para defender os interesses das populações.

A Dra. Carla Batista faz parte da vereação e da comissão de saúde. Como médica do Centro de Saúde e conhecedora do que está em causa tem o dever de falar verdade e não entrar em demagogias. Que explique o que é um SUB, quais os critérios que o definem, que tipo de doentes a ele recorrem e como está articulado com os outros níveis.

Já agora, e a um nível de cuidados diferentes, nomeadamente dos cuidados de saúde primários, qual foi intervenção da Dra. Carla Batista e o seu desígnio para a criação de uma Unidade de Saúde Familiar? Tentou criar alguma em conjunto com os seus colegas? Iniciou algum tipo de esforços nesse sentido? A criação de uma USF resolveria muitos dos problemas que o comunicado aponta.

“Ainda mais, quando há candidatos que são perfeitos desconhecidos e nem sequer são do concelho.” (deste post)

“Agora vamos ver que posição tomam os candidatos às Autárquicas, mas como muitos deles ou são perfeitos desconhecidos ou não dormem no concelho, não vão fazer nada, estando-se nas tintas para os mirandenses. São ainda capazes de dizer que é uma questão de bairrismo!? É Tempo de se fazer alguma coisa, um abaixo assinado, uma providência cautelar e de trazer os populares para a rua... Não podemos deixar o nosso Centro de Saúde fechar um dia destes!” (de um post anterior sobre o comunicado da comissão)

Isto não é mais do que xenofobia pura, apelo à desordem e ao desacato popular. Sinceramente, esperava mais vindo de si.

Mário Nunes disse...

Caro comentador anónimo
Antes de mais nada um reparo, porque se refugia no anonimato para comentar o meu texto?
Parece que fiz sair alguém da toca, onde estava hibernado(a).
Pelos vistos também não deve dormir no concelho.
Se soubesse o que é estar doente e ser conduzido em ambulância para as Urgências dos HUC, a meio da noite, saberia do que falo.
Sabe quais são as reais necessidades do povo anónimo (mirandenses, lousanenses ou penelenses)?
Acha correcto fechar as Urgências de Penela, Condeixa, Miranda do Corvo, Vila Nova de Poiares e a Lousã, sem haver outras alternativas?
Sabe o que é ir parar às Urgências dos Covões ou dos HUC, a meio da noite?
Sabe que devido ao encerramento dos SAP, não há camas que cheguem nas Urgências dos Hospitais de Coimbra, para todos, apesar do Primeiro Ministro e da Ministra da Saúde dizerem o contrário.
Reze para que não haja um surto de gripe A, pois então verá e assistirá à falência da maravilha do Sistema de Saúde proposto por José Sócrates, que hipotecou uma das poucas coisas que funcionava neste país, o Serviço Nacional de Saúde, posto de pé pelo Dr. Arnault, após a Revolução de Abril.
Há doentes a dormir dias a fio em macas e no corredores das Urgências destes dois grandes Hospitais.
Os Bombeiros chegam a deixar as macas das ambulâncias nas Urgências, pois as camas dos Hospitais Centrais não chegam para as encomendas.
Sabia que há menos 500 camas nos HUC?
Que foram despedidos enfermeiros e pessoal auxiliar?
Ou será que nasceu em berço dourado e recorre a um médico ou clínica privada?
Será correcto atribuir RSI a torto e a direito?
Não seria preferível canalizar o dinheiro que é gasto em 230 deputados na AR ou no RSI, para as necessidades do povo, como saúde, educação, justiça e segurança?
Por certo que todos aqueles que abriram os centros de saúde destas vilas, pensaram no bem estar das pessoas e das populações, por esse motivo os dotaram de urgências e diverso equipamento médico cirúrgico.
Quanto à Dra. Carla Baptista (excelente médica) e às pessoas que fazem parte da Comissão Municipal de Saúde são pessoas que merecem toda a minha consideração e respeito.
Quanto ao abaixo assinado e à providência cautelar serão os passos correctos a serem dados em momento oportuno.
Qualquer cidadão tem o direito de manifestar a sua indignação, participando activamente na sociedade e interpondo uma acção popular ou providência cautelar em Tribunal fazendo valer os seus direitos e o dos seus pares.
Quanto ao bairrismo e à xenofobia, poupe-me, isso já me cheira a esquerda de caviar, um discurso já gasto e rebuscado.
Antes mais, um conselho, percorra as estradas e caminhos do concelho de Miranda do Corvo fazendo o percurso Miranda do Corvo-Coimbra ou Miranda do Corvo-Arganil, imagine este efectuado a meio da noite, agora percorra este caminho de um lugar do concelho para o Hospital ou SUB de Arganil ou Coimbra, depois falaremos de novo. Desça à realidade, não estamos na Alemanha ou em Espanha, que há excelentes estradas, desça ao país real.
Deixe de ser lírico.
Lamento se o/a desiludi, se calhar também estarei desiludido consigo.
Cumprimentos,
Assino Mário Nunes

carlos disse...

Ora, ora, Mário espanta-me como ainda dá atenção aos seguidores do padreco do Louçã, aquilo são piores do que os Mórmones ou os Meninos de Deus.

Anónimo disse...

Caro Mário,

Lamento que no lugar de discutir as coisas de forma séria e informada se refugie num esganiçado aleatório de factos que nada têm a ver com o assunto em causa. Confunde ACES, reforma dos cuidados de saúde primários, com a requalificação de urgências (onde se inserem os SUP - Serviço de urgência polivalente -, os SUMC - Serviço de urgência médico-cirúrgica -, e os SUB - Serviço de urgência básica). Leia, perceba o que está em causa e depois discuta.

Aproveito o ensejo para o esclarecer sobre alguns aspectos das perguntas e conselhos que me faz:
“Antes de mais nada um reparo, porque se refugia no anonimato para comentar o meu texto? Parece que fiz sair alguém da toca, onde estava hibernado(a)”
Lamento que tenha começado por aí. Já o esperava. O problema não é o conteúdo da mensagem mas o mensageiro. É a reacção típica, com escola desde Dário III rei da Pérsia, contra quem, honestamente, emite uma opinião verdadeira mas que lhe é incómoda: matar o mensageiro. No seu caso desdenha. O anonimato não é crime e é reconhecido como um direito. O insulto sublimar, de graçola alarve, feito a seguir era desnecessário. Registo a atitude.

“Pelos vistos também não deve dormir no concelho.”
Parece que esta é uma condição para se ser Mirandense de cepa. Já vi que o Mário partilha dela. Registo o critério. No entanto, se permite a minha modesta opinião, a avaliar pelos problemas estruturais que o concelho continua a apresentar o facto de o Poder viver cá, trabalhar cá, dormir cá e pagar impostos cá não abona muito a favor dos seus intervenientes. Os problemas do passado continuam a ser os problemas do presente.

“Se soubesse o que é estar doente e ser conduzido em ambulância para as Urgências dos HUC, a meio da noite, saberia do que falo. Acha correcto fechar as Urgências de Penela, Condeixa, Miranda do Corvo, Vila Nova de Poiares e a Lousã, sem haver outras alternativas? Sabe o que é ir parar às Urgências dos Covões ou dos HUC, a meio da noite? Sabe que devido ao encerramento dos SAP, não há camas que cheguem nas Urgências dos Hospitais de Coimbra, para todos, apesar do Primeiro Ministro e da Ministra da Saúde dizerem o contrário.”
Não me parece o critério mais correcto e sério para discutir o que está em causa mas, infelizmente para mim e felizmente para si, sei tudo isso. Questiono, no entanto, se já teve curiosidade em tentar perceber o que está por detrás da requalificação das urgências? Falamos de URGÊNCIAS, e não dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) que menciona (chamando-lhe urgências), que abusivamente eram denominados como urgências, e que nada garantiam neste aspecto aos doentes.

Anónimo disse...

(continuação)

“Sabe quais são as reais necessidades do povo anónimo (mirandenses, lousanenses ou penelenses)?”
Sinceramente, o Mário conhece-as ou acha que as conhece? Não me parece. Aliás, se conhecesse perceberia a razão da requalificação das urgências e porque é que se avançou para a criação das Unidades de Saúde Familiar.

“Reze para que não haja um surto de gripe A”
Novamente não se percebe o que tem a ver a gripe A com o assunto em discussão. Se o objectivo é lançar mais areia para a engrenagem os meus parabéns. O alarmismo sobre a gripe A era desnecessário. Ainda não percebeu o que é a Gripe A? Ainda não percebeu que todos os anos existem surtos de gripe? Ainda não percebeu que é por isso que todos os anos existem campanhas de vacinação para os mais idosos e outros grupos de risco? Deve-se ter mais cuidado com a gripe A? Deve. Existe alarmismo com a gripe A? Existe. Qualquer médico lhe explica isto em poucas palavras.

Quanto à resposta do sistema de saúde ao surto de gripe A, ainda não percebeu que todos os sistemas de saúde do mundo estão com problemas? Ou será que os problemas são exclusivamente do SNS português? Ou será, assim de forma rebuscada, que a Gripe A também é culpa do governo? Tem andado distraído e não percebeu que todos os anos as urgências e os centros de saúde entopem sazonalmente por causa da gripe? Não percebeu que para além de tratar é necessário prevenir? Não percebeu que é isso que a Direcção Geral de Saúde e outras entidades têm procurado fazer? Já foi ao Centro de Saúde de Miranda do Corvo e viu a publicidade afixada? É tanta que até chateia. Já viu as campanhas de informação na televisão, nas farmácias e em outros estabelecimentos de saúde? Tem andado distraído? Quais as acções concretas que queria ver implementadas?

Anónimo disse...

(continuação)

“pois então verá e assistirá à falência da maravilha do Sistema de Saúde proposto por José Sócrates, que hipotecou uma das poucas coisas que funcionava neste país, o Serviço Nacional de Saúde”
O Primeiro-Ministro tem cometido alarvidades mas esta não lembra a ninguém de bom senso. Que tal passar em revista os sucessivos governos e ver o que tem acontecido. Ou será que agora pratica o revisionismo histórico? A história depois de lida e interpretada aponta para outras conclusões. Tem a certeza que este governo hipotecou o SNS? Ou terá apenas continuado o que outros iniciaram, corrigindo, na medida do possível, o que era irreversível? Quer exemplos concretos? Aqui vão:

a) Saberá, por acaso, quem foi o primeiro governo a entregar a gestão de um hospital público a um grupo privado (o Hospital Amadora-Sintra)? Paulo Mendo, Ministro da Saúde do último governo de Cavaco Silva. Saberá, por acaso, que o Tribunal de Contas sempre foi bastante crítico relativamente a este contrato e que sempre alertou para o facto de o Estado não ter condições reais para fiscalizar e acompanhar o respectivo contrato? Saberá, por acaso, que com o actual governo este hospital regressou à gestão pública?

b) Saberá, por acaso, quem lutou pela alteração do artigo 64º da Constituição da República Portuguesa, alterando o texto “o direito à protecção da saúde é realizado pela criação de um serviço nacional de saúde universal, geral e gratuito” para “através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito” com o objectivo da introdução de taxas moderadoras. O governo de Cavaco Silva.

c) Saberá, por acaso, quem iniciou a empresarialização dos hospitais em Portugal? Filipe Pereira; Ministro da Saúde, do governo de coligação PSD/PP.

d) Saberá, por acaso, quem iniciou as Parcerias Público Privadas num modelo que se afastou, para pior e com garantias principescas ao privado, de todos os outros europeus? O mesmo Ministro.

e) Saberá, por acaso, que a figura Sociedade Anónima adoptada inicialmente por Filipe Pereira abria caminho à privatização dos hospitais? Saberá, por acaso, que a figura Entidade Pública Empresarial, adoptada por este governo, fecha este caminho?

f) Saberá, por acaso, que já Albino Aroso, figura proeminente do PSD e que ocupou vários cargos na área da saúde, defendeu sempre a requalificação das urgências e das maternidades? E bem, porque aquilo que existia não era urgência.

g) Saberá, por acaso, quem iniciou a reforma dos Cuidados de Saúde Primários, onde se destacam as Unidades de Saúde Familiar? Este governo.

h) Saberá, por acaso, quem iniciou a criação de uma Rede de Cuidados Continuados ligando o SNS com as IPSS e outras entidades? Este governo.

Saberá, por acaso, o que é uma reforma e o tempo necessário para a respectiva mudança? Correu tudo bem? Não. Há aspectos a corrigir? Há. A mudança era necessária? Era. O desperdício gerado e a ineficiência do sistema começavam a pôr em causa a sustentabilidade do SNS e não garantiam a real satisfação das necessidades dos seus utentes.

Perguntará se concordo com tudo o que foi feito? Não. Houve desvios, resistências, guerras dentro da administração, oportunismos políticos pelo meio, nomeadamente dos autarcas (sem excepção da cor partidária e quando muitos deles tem responsabilidade directa no estado a que as coisas chegaram), e a intransigência do Ministro Correia de Campos.

Anónimo disse...

(continuação)

“posto de pé pelo Dr. Arnault, após a Revolução de Abril.”
Uma coisa com a qual concordamos. O SNS é de facto uma das grandes conquistas de Abril e com mérito do Dr. Arnault. Mas estará lembrado, porque caiu o governo do qual o Dr. Arnault fazia parte? Pois é, foi por causa da criação desse mesmo SNS. E sabe quem contribui para essa queda? Reveja a história e identificará os mesmos que hoje querem menos Estado.

Por caso sabe aquilo que o PSD pretende para o SNS? Não. Procure no Instituto Sá Carneiro o documento de referência na área da saúde e leia com atenção. Se for coerente com as afirmações anteriores relativamente “à falência da maravilha do Sistema de Saúde proposto por José Sócrates“ ficará elucidado. Privatizar. Dar lugar ao privado. Depois da banca, das energias e dos transportes, os sectores que restam para um determinado privado ávido de mais mercado são a saúde, a educação e a segurança social.

“Ou será que nasceu em berço dourado e recorre a um médico ou clínica privada?”
Não meu caro. Nasci em colchão de palha, filho de gente pobre e honrada. Utilizo sempre o SNS sujeito aos mesmos ditames de qualquer cidadão comum. Defendo intransigentemente o SNS e a sua salvaguarda. Pelo que atrás disse já o deveria ter percebido. Não aceito é que a discussão seja feita na base do simples palpite e na ignorância do que está a ser feito, porque está a ser feito, como está a ser feito e quais os seus objectivos.

“Quanto à Dra. Carla Baptista (excelente médica) e às pessoas que fazem parte da Comissão Municipal de Saúde são pessoas que merecem toda a minha consideração e respeito.”
Como pessoas também a mim, mas isso não impede que tenham errado e agido de forma leviana. Mantenho o que disse. Não sabem o que está em causa com a requalificação das urgências, confundem diferentes níveis de cuidados, confundem a articulação de cuidados, confundem aspectos administrativos com aspectos operacionais. O papel da comissão exigia da parte dos seus intervenientes mais conhecimento e menos leviandade.

Um esclarecimento. Ninguém pôs em causa a competência da Dra. Carla Batista enquanto médica. O que foi posto em causa foi a sua acção enquanto vereadora, o seu papel na comissão e o papel que poderia ter tido na criação de uma USF no seu Centro de Saúde. O seu papel de médica apenas lhe trouxe uma responsabilidade acrescida, porque deveria saber do que fala relativamente à organização, articulação e funcionamento do SNS.

“Qualquer cidadão tem o direito de manifestar a sua indignação, participando activamente na sociedade e interpondo uma acção popular ou providência cautelar em Tribunal fazendo valer os seus direitos e o dos seus pares”
Inteiramente de acordo. O problema levanta-se quando o exercício da cidadania é baseado no mero palpite e no desconhecimento do que está em causa. Passa a ser folclore e trica política. É bom que se perceba que a cidadania para além de direitos tem obrigações.

Anónimo disse...

(continuação e termino)

“Quanto ao bairrismo e à xenofobia, poupe-me, isso já me cheira a esquerda de caviar, um discurso já gasto e rebuscado.”
Pois é, mas parece que faz escola no concelho e que o Mário é filiado. Sinceramente nunca percebi, porque é que a esquerda devia comer pão com chouriço ou sandes de courato em vez de caviar. Será uma iguaria reservada apenas à direita ou ao centro? Ou o “esquerda caviar” é apenas uma adjectivação balofa para esconder o preconceito e a xenofobia latente que por aí grassa e que vai encher o discurso do poder vigente do burgo (que vive cá, dorme cá, trabalha cá e paga impostos cá) e que mantêm actuais, depois de oito anos de mandato, os problemas estruturais do concelho?

“Antes mais, um conselho, percorra as estradas e caminhos do concelho de Miranda do Corvo fazendo o percurso Miranda do Corvo-Coimbra ou Miranda do Corvo-Arganil, imagine este efectuado a meio da noite, agora percorra este caminho de um lugar do concelho para o Hospital ou SUB de Arganil ou Coimbra, depois falaremos de novo.”
Mais uma vez, e infelizmente para si, já percorri mas não descortino o que pretende com tal exercício. As perguntas que deve colocar são: qual a gravidade da situação de urgência/emergência? Para onde devo ir? Sabe para que serve a referenciação e a articulação entre diferentes níveis de urgências, onde as VMER têm um papel preponderante? Compreende o seu erro? Já agora, leia o relatório final que lhe indiquei. Está lá tudo.

“Desça à realidade, não estamos na Alemanha ou em Espanha, que há excelentes estradas, desça ao país real.”
Faltava o discurso trágico/miserabilista de que lá fora é que é bom. Perceba uma coisa, os espanhóis e os alemães também têm estradas más. Nós também temos estradas boas. A rede viária tem melhorado significativamente nos últimos anos, com especial destaque para as zonas mais isoladas e recônditas. Se tivesse lido o relatório compreenderia que este foi um dos critérios considerados no estudo feito. Leia o relatório final que lhe indiquei. Está lá tudo.

Caro Mário discutir as coisas com emoção e paixão, como já vi que faz, é importante. No entanto, nestes casos a emoção e a paixão devem ser ponderadas com alguma racionalidade e conhecimento do que está em causa. Perdoar-me-á, mas acho que o Mário está a cultivar as primeiras no desconhecimento das segundas.

Um abraço.
Assino: Anónimo.

Mário Nunes disse...

A partir de hoje deixo de inserir neste blogue comentários assinados por anónimos.
Caro comentador anónimo reitero tudo aquilo que anteriormente disse e não vou alterar uma vírgula nem vou rebater argumentos consigo, mantenho os meus pontos de vista e respeito a sua mui douta opinião!
Contudo não tem razão.
Guarde os seus conhecimentos de História para os seus alunos, que por certo os apreciarão.
Há quem se dê muito mal com o facto dos outros pensarem pela sua própria cabeça e de terem ideias próprias, ideias que não lhe são impostas pela camarilha e doutrina partidária.
Como cidadão tenho todo o direito de dizer o que penso e aquilo que me vai na alma.
Estou farto de política e de políticos, contudo ainda penso, tenho o direito de manifestar a minha opinião e de regista-la, a contragosto de alguns dos meus antigos camaradas que gostariam que eu estivesse calado, mas assim não vai ser.
Lamento, mas não defendo as teses do Bloco, nem do seu pastor e muito menos da camarilha que dizia mal de José Sócrates e do PS, mas que contudo batia nas costas e passava a mão pelo pêlo do antigo Ministro da Saúde Henrique Campos.
Organizando de seguida conferências sobre a saúde, em que só faltava fazerem hossanas a José Sócrates, a Henrique Campos e ao PS.
Será que houve algum amig@ comum ao BE e a Henrique Campos a arquitectar os agrupamentos dos centros de saúde?
Assim vai a oposição em Portugal.
E o Bloco, a mim não me engana.
E só cai uma vez na esparrela, uma vez, à segunda só cai quem quer e à terceira, só quem é burro.
Aos meus antigos camaradas gostaria ainda de lhes dizer porque motivo estão muito preocupados comigo?
Porque não assentam baterias no PSD?
No PS?
Ou na CDU?
Ou será que um independente, os tira do sério?
Para mim não há mordaças, tabus, muros ou silêncios, estes são para serem derrubados.
Viva a Liberdade!

Mário Nunes disse...

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas.

Vítor Ramalho disse...

Sentados nas suas poltronas, nos gabinetes com um bom ar acondicionado, meia dúzia funcionários, tratam a saúde como um negócio e não como um direito.
O anterior modelo de saúde onde os Saps serviam de triagem e alguns hospitais de 2ª linha, tratavam os casos menos graves, só precisavam de algumas correcções para servirem perfeitamente. Os burocratas de Lisboa pus eram-se a inventar e agora o SNS parece uma manta de retalhos.
Quanto a PS e BE sempre disse que a classe social dos seus dirigentes é mais ou menos a mesma, podem não concordar em relação aos meios, mas os fins que os orientam são exactamente os mesmos.

Mário Nunes disse...

Vale a pena ler este post publicado no Alma Pátria:http://almapatria-patriaalma.blogspot.com/2009/08/arsc-fechou-extensao-de-saude-dos.html

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