sexta-feira, novembro 12, 2010

A ver passar o metro...

Afinal, como muitos suspeitavam neste processo doloroso, parece que já não vamos ter metro, tram train ou comboio ou coisa alguma (quanto muito um metrobus ou uma ciclovia até Coimbra).

A sangue frio fomos todos levados, agora é uma questão de tempo, até as obras pararem de vez, o pretexto a crise mundial…

Com pompa e circunstância, quase um ano depois, das obras terem principiado no mês de Janeiro de 2010 no Centenário Ramal da Lousã, com o levantamento dos carris de ferro, da retirada das tulipas e das pedras da linha, resta o vazio, um caminho deserto… Eis que a montanha se prepara para parir um rato.


Uma história cheia de vicissitudes desde 1996, quantos milhões foram já gastos em salários e estudos pela Metro Mondego? – Eis a pergunta que muitos mirandenses e lousanenses gostariam de fazer aos responsáveis pela tutela.

Para a posterioridade ficam as estações de Ceira, Miranda do Corvo e da Lousã que foram objecto de requalificação urbana. No entanto provavelmente ficarão vazias e esvaziadas do seu conteúdo funcional, a ver passar comboios num passado distante.

Projectos mirabolantes, muitos utentes torceram o nariz à história das duas linhas de metro, uma dentro de Coimbra, com um trajecto fascinante até aos HUC, passando pelas quintarolas dalguns construtores lá para os lados da Solum e do Dolce Vida, num sinuoso trajecto a fazer lembrar os Jardins do Mondego e os estranhos jogos de bola. Para não falarmos da linha entre o Alto de S. João até Serpins e dos transbordos de passageiros.

Quando me falaram, agora já não é Metro, vamos passar a ter Tram Train, comecei a ter as minhas dúvidas…

Isto para não falarmos do estranho destino dos carris de ferro, que foram desviados pelos amigos do alheio (conforme notícia dada à estampa) ou por algum caridoso sucateiro, quando na imprensa se especulava que estes tinham como destino o Entroncamento, o Ramal da Figueira da Foz ou até mesmo a linha de Cantanhede. As tulipas de madeira seguiram o mesmo rastro, tantos eram os camiões, qual terá sido o seu destino?

O Entroncamento ou Ovar?

Só as entidades envolvidas poderão responder a tais questões…


Isto para não falarmos do depósito de pedra localizado junto à passagem de nível do Arneiro (Padrão) e que mudou de sítio do lado direito para o lado esquerdo da estrada no sentido Miranda do Corvo-Lousã e que tem vindo a diminuir a olhos vistos todos os dias…

Com os diabos, não somos um país rico e os materiais poderiam ter sido reutilizados em obra. Esclareceram-me que o Tram Train circularia sobre um betuminoso especial, onde assentariam os carris.

Perguntei como se desloca o Tram Train?

Será sobre carris?

Algum dia o saberemos…?


Semanalmente ia acompanhando esta mirambolante história através da imprensa, as notícias não eram famosas, ameaças de demissão, Governo suspende concursos, Governo não comparece a Assembleias da Metro Mondego, Abaixo assinados entregues na Assembleia da República, José Sócrates não responde a questão sobre o futuro do Ramal da Lousã, até à noticia do passado dia 10 de Novembro no Diário de Coimbra, Governo quer autocarros no Ramal da Lousã.

Por amor de Deus…

Onde estamos nós?

Onde fica a responsabilidade civil e criminal dos implicados neste processo de destruição do Centenário Ramal da Lousã?


É bom que isto não fique por aqui e que sejam apuradas responsabilidades até às últimas circunstâncias, doa a quem doer. Porque prejudicaram a vida de milhares de pessoas, daqueles que compraram casa em Miranda do Corvo ou na Lousã e se deslocam diariamente para Coimbra ou ainda dos milhares de expropriados pela Metro Mondego, que viram a sua vida virada do avesso (em especial os da Baixa de Coimbra).

Consta-se que já não haverá dinheiro para as transportadoras e que já há mini-autocarros e outros a cair de podre, com avarias a fazer a viagem entre Serpins e Coimbra, é que os autocarros luxuosos, já foram…

E agora?

Quem descalça esta bota?

Mais em:

http://espacoaberto-umanovamiranda.blogspot.com/2010/01/os-ultimos-dias-do-comboio-em-miranda.html

http://espacoaberto-umanovamiranda.blogspot.com/2010/01/uma-breve-historia-do-ramal-da-lousa.html

2 comentários:

Mário Mesquita disse...

Caro Mário, este projecto estava morto logo à partida. Tanta discussão, tanto dinheiro mal gasto. Quem vai sofrer são as pessoas que precisão de um meio de transporte com as mínimas condições de conforto e rapidez para irem trabalhar, ou até mesmo para ir ao Hospital de Coimbra. Lousã e Miranda vão deixar de ser um bom local para viver, pois os meios de transporte vão ser umas camionetas a cair de podre, ir de transporte próprio para Coimbra em tempo de crise.... muito complicado.
Abraço
Mário Mesquita

Inês Cardoso disse...

Sr. Mário,
Fico triste pelas notícias que me chegam através do seu blogue... por vezes, estes acontecimentos que perturbam e prejudicam certos concelhos não aparecem nos meios de comunicação de massa...
Quando fui para a Lousã dar aulas, ainda havia comboio a ligar a Lousã a Coimbra. Quando, tempos depois, deixou de existir, confesso que o meu pensamento foi "para quê um metro? Se já existe uma ligação de comboio, não será preferível ver como melhorar o que existe do que destruir tudo e fazer novo? Temos assim tanto dinheiro para desperdiçar?". Mas este foi um pensamento de alguém, como eu, que só morava na Lousã há meses e durante a semana... não conhecia a realidade... De qualquer modo, esta foi a minha impressão e, com tristeza, reconheço que não foi destituída de sentido... e reconheço esta triste tendência de "novo riquismo" de apregoar fazer, fazer... tudo "à grande"... e depois a palavra não se cumpre...
Pela palavra e outras formas dignas de luta, procurem apurar o que aconteceu, fazer valer o que for melhor para as populações aí da região. Coragem!

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