terça-feira, julho 03, 2012

Administração da Metro Mondego bate com a porta



“Os administradores executivos e não executivos da Metro Mondego renunciaram ao cargo, disse hoje à agência Lusa um dos elementos demissionários.
Nova onda de renúncias na empresa de capitais exclusivamente públicos.
Criada em 1996, com o objectivo de implantar um sistema de metro no centenário Ramal da Lousã (substituindo as automotoras a diesel por veículos eléctricos mais ligeiros) e na área urbana de Coimbra, a Metro Mondego é uma empresa de capitais exclusivamente públicos, liderada pelo Estado e que tem como accionistas minoritários os municípios de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã.
O administrador não executivo António Simões, indicado pelo anterior Governo, apresentou hoje a sua demissão em carta enviada ao secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, e revelou à Lusa que todos os administradores em funções estão também demissionários.
"O projecto está, desde Junho de 2010, numa fase totalmente indefinida, razão pela qual sinto uma enorme frustração, não pelo trabalho que os elementos do conselho de administração desempenharam, sempre com posições unânimes sobre o Sistema de Mobilidade do Mondego, mas por falta de decisões por parte do accionista maioritário desta sociedade", lamentou no ofício endereçado ao secretário de Estado.
O administrador executivo João Rebelo confirmou à agência Lusa que oficializou a sua renúncia ao cargo na sexta-feira, referindo que "deu seguimento a uma intenção já manifestada à tutela em Fevereiro" deste ano.
Por seu lado, o administrador não executivo Vassalo de Abreu garantiu que apresenta a sua renúncia na terça-feira de manhã.
"Sociedade é para manter"
A presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo, Fátima Ramos, disse hoje que está agendada para 27 de Julho uma assembleia-geral da sociedade Metro Mondego para eleger uma nova administração.
"Não estou muito preocupada, pois a administração continua em funções  até ao final de Julho e está agendada uma assembleia-geral para 27, em que  um dos pontos da ordem de trabalhos é a eleição dos órgãos sociais", salientou  a autarca (PSD) à Lusa.

Fátima Ramos sublinhou ainda que, na última reunião da comissão de trabalho encarregue de recalendarizar as obras do projecto do metro, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, garantiu que a "sociedade era para manter e potenciar a sua actividade, pelo que atempadamente vai ser encontrada uma solução".  gestora do projecto do metro, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, garantiu que a "sociedade era para manter e potenciar a sua actividade, pelo que atempadamente vai ser encontrada uma solução".
"É preciso que o Governo defina o modelo"
Por seu lado, o presidente da autarquia da Lousã, Luís Antunes (PS), considerou que esta situação vem confirmar a sua posição: e crie condições para a sociedade Metro Mondego poder trabalhar".
 "Considero que esta circunstância irá fazer com que o Governo defina o modelo e as pessoas para criar uma entidade com capacidade de actuação", disse o edil, salientando que é preciso "optimizar ou reorganizar a estrutura para lhe dar operacionalidade".
Presidente da Câmara de Coimbra não comenta
Contactado pela Lusa, o presidente do município de Coimbra, João Paulo Barbosa de Melo (PSD), escusou-se a comentar a decisão dos administradores da Metro Mondego em funções.
 A agência Lusa tentou também obter um comentário do secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, mas até ao momento não foi possível.
Três demissões este ano
No início de Junho, o administrador não executivo Carlos Ferreira, indicado pelo município de Miranda do Corvo, já tinha apresentado a sua demissão, considerando que os concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã não foram devidamente respeitados pelo Estado.
Carlos Ferreira, actual presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Miranda do Corvo, frisou que "a população desta região, que com sacrifício paga os seus impostos, não consegue entender como é possível que políticos irresponsáveis lhe tenham destruído o seu sistema de mobilidade, que para isso tenham gasto cerca de 150 milhões dos seus impostos, não o tenham reposto em funcionamento, e não sejam julgados por isso".
A administração da sociedade Metro Mondego estava confinada a estes quatro elementos, depois da demissão do presidente Álvaro Maia Sêco, em 30 de Novembro de 2010, e das saídas dos administradores Carlos da Cunha Picado (executivo) e Parola Gonçalves (não executivo) a 31 de Março deste ano.
A nomeação de uma nova administração está agora dependente da marcação de uma assembleia-geral, que terá de realizar-se ainda este mês.
Em cerca de 16 anos de actividade, a sociedade Metro Mondego foi responsável pela realização de duas empreitadas no Ramal da Lousã, desactivado há mais de dois anos, no valor de 150 milhões de euros, de um montante global de 447 milhões de euros, correspondente à intervenção de toda aquela linha, que tem uma extensão de aproximadamente 37 quilómetros.”

Fonte: Expresso
E mais no: Público

A telenovela e o folhetim seguem dentro de momentos…  

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