sexta-feira, outubro 20, 2006

A Preto e Branco - Parte II




A Preto e Branco – Parte II

Portugal, Século XXI, um país à procura de rumo…
Sem esperança, muitos portugueses, após perderem os seus empregos e em risco de perderem os seus lares, aos 40-50 anos fazem as malas e emigram, tendo como destino: Espanha, França, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Suiça, EUA, Canadá, Austrália, Angola e Moçambique, onde irão recomeçar tudo de novo.
Desalentados, muitos, deixaram de acreditar numa classe política oportunista e mentirosa.
Os aumentos sucedem-se – combustíveis, medicamentos, electricidade (eram para ser 15,7%, agora são só 8,7%), transportes, taxas de juro (empréstimos concedidos à habitação), bens essenciais (alimentação), saúde (aumento das taxas moderadoras: urgências, consultas, internamentos e cirurgias), educação, etc.
A somar a isto tudo mais um rol de aumentos e mentiras.
Muitos interrogar-se-ão quantas Assembleias da República sustentamos nós?
Dirão uma, errado, quatro.
Alguém fez as contas às chorudas reformas dos senhores deputados, ex-presidentes de câmaras municipais, ex-presidentes da república que se encontram reformados ao fim de dois ou três mandados?
Anedota, dirão uns, temos que gramar a pastilha até aos 65 anos ou mais, se calhar quando lá chegarmos não temos reforma, a Segurança Social faliu…
E que dizer dos aumentos de 1,5%, que o Estado pretende dar à Função Pública e a esmola de 6 cêntimos por dia, destinados ao subsídio de alimentação… Uma palavra, ridículo.
Porque não aperta o Ministro das Finanças o cinto a muitos profissionais de renome – médicos, advogados, engenheiros e arquitectos? Porque é que são sempre os mesmos a pagar a crise? Quem, os escravos, os empregados por conta doutrem.
Porque não vai o Estado em cima dos lucros fabulosos dos Bancos e das Seguradoras, interrogar-se-ão outros?
Rigor e contenção, disse o Ministro Teixeira dos Santos, onde?


link - http://www.correiomanha.pt

«O orçamento global para os vencimentos do primeiro-ministro e respectivos 16 ministros regista um aumento de 6,1 por cento face ao montante atribuído para 2006. A soma total da verba prevista para despesas com a rubrica ‘titulares de órgãos de soberania e membros de órgãos autárquicos’, pela qual são pagos os salários dos membros do Governo, ascende, em 2007, a 1 027 348 euros, contra os 967 980 euros orçamentados para este ano.»
in «Correio da Manhã», do dia 21.10.2006

Nas mordomias dos deputados da Assembleia da República, dos gestores públicos, dos Directores da CGD ou do Banco de Portugal, …
Contenção na aquisição de viaturas de titulares de cargos públicos, nas chamadas de telemóveis, nas despesas de viagens de muitos, …
Estabilidade e crescimento, onde?
Nas SCUT, que continuam a ser suportadas por todos nós?
Nos Elefantes Brancos da Ota ao TGV, porquê?
Nos milhões de Euros gastos em missões militares de paz no Estrangeiro, somos o 6º país a nível mundial, com encargos com militares e material no Estrangeiro, será que somos uma potência militar, a quem tudo é permitido?
Nos Edifícios ocupados por Serviços Públicos, em que o Estado paga rendas principescas, quando o mesmo Estado é detentor de imóveis que se encontram vazios há anos (exemplo ver Baixa Pombalina, em Lisboa e Quartéis vazios do Exército, que se encontram espalhados por esse País fora).
Outros interrogar-se-ão, porque é que a TAP dá lucro e a CP não?
Porque é que a maior parte das empresas públicas apresentam resultados negativos?
Depois, há quem se continue a interrogar, porque motivo continuam a ser atribuídos Subsídios de Rendimento Mínimo e outras benesses sociais, a quem não trabalha e nada produz, quando não há dinheiro para pagar as reformas a quem trabalha e faz descontos e estão a ser cerceados aos trabalhadores o acesso à Educação e à Saúde, não dá para entender…
Oitenta anos depois, alguém segue a cartilha do Professor Salazar, esperamos é que não tenhamos que aguentar com 40 penosos anos de ditadura, até que alguma cadeira misericordiosa nos alivie o sofrimento.
Mobilidade querem eles, a precariedade no emprego também e as pessoas não contam?
Há políticos e governantes que querem a diminuição cega dos quadros, apenas para que as empresas privadas dos seus amigos e padrinhos possam ser contratadas para fazer serviços públicos e possam facturar muito…
Alguém fez as contas a quanto paga o Estado a firmas privadas de limpeza e de segurança – duas a quatro vezes mais, se esse serviço fosse assegurado por assalariados contratados para o efeito, pouparia o Estado milhões de Euros – imaginemos esse valor à escala nacional…
E os serviços públicos entregues a empresas de trabalho temporário…
Agora digam lá que tudo vai bem neste país à beira mar plantado, que a crise acabou, que a economia está a crescer…
Acordem!
Estão anestesiados com o choque tecnológico.
Despertem para a vida.


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