quinta-feira, outubro 05, 2006

Uma Data para Todos Recordarmos


05 de Outubro de 1910 - A Proclamação da República


O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida. Aumentando a contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do centenário da morte de Camões, em 1880 e o Ultimatum inglês, em 1890, foram aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares.
Durante muitos anos pensava-se que só depois de uns dois anos de fome, quando o povo começasse a queimar repartições da Fazenda, houvesse revolução em Portugal.
Em 1910, o País passava fome, os operários faziam greves, nas cidades vivia-se mal e os agricultores e o interior de Portugal estavam na miséria.
A classe média indignava-se com o escândalo do Crédito Predial, com as mordomias do Rei, da Nobreza, da Burguesia endinheirada e com as políticas seguidas pelo governo de então - monarquia constitucional - que tinha sacrificado as políticas de expansão e desenvolvimento do país, a favor da Inglaterra, França e Alemanha.
Um século depois encontramos estranhos paralelismos e a história repete-se mais uma vez, a agricultura está de rastos, a indústria agoniza, o comércio encontra-se nas mãos dos espanhois e das grandes superfícies, o Estado ameaça encerrar serviços públicos. Hoje, o governo de Lisboa sacrifica o País, satisfazendo os caprichos de Bruxelas e as ordens do Banco Central Europeu.
Mas, voltemos ao ano de 1910, nessa altura o País vivia da agricultura, a Indústria praticamente não existia e dalguns proveitos, que vinham de Angola, Moçambique e das restantes possessões ultramarinas. Estava em curso, uma revolução não só de massas, mas também importantes transformações na área dos transportes. O Caminho de Ferro dava os primeiros passos chegando a alguns locais do país. As cidades começaram a ser pecorridas por eléctricos, que vieram substituir os veículos puxados por tracção animal e em Coimbra surgiram as primeiras carreiras de camionetas.
D. Carlos I foi assassinado a 1 de Fevereiro de 1908, D Manuel II deposto a 5 de Outubro de 1910 e exilado com a família real.
Cronologia Breve da Revolução em Lisboa
2 de Outubro - Os republicanos marcam a revolução para a 1 hora do dia 4.
3 de Outubro - Assassinato de Miguel Bombarda.
20 horas - Última reunião dos conspiradores na Rua da Esperança.
4 de Outubro
01:15 - 04:15 - Revoltas no Quartel de Infantaria 16 (Campo de Ourique), Artilharia 1 (Campolide) e Quartel da Marinha.
05:00 - Acampamento da Rotunda.
07:00 - Cândido dos Reis é encontrado morto.
08:00 - 09:00 - Os oficias do Exército abandonam a rotunda.
10:00 - Grupo de 50 manifestantes é recebido a tiro nos Restauradores.
12:30 - 16:00 - Paiva Couceiro ataca a rotunda.
14:00 - Os navios S. Rafael e Adamastor bombardeiam o Palácio das Necessidades.
16:00 - A Marinha bombardeia o Terreiro do Paço.
21:00 - O navio D. Carlos cai nas mãos dos republicanos.
05 de Outubro
Subvelação popular
06:00 - 07:00 Duelos de artilharia na Avenida.
08:00 - 09:00 Insubordinação das tropas no Rossio. A República é proclamada na Câmara Municipal de Lisboa.
Em 05 de Outubro de 1910, a Monarquia deu o lugar à República e à Esperança.

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