sábado, julho 31, 2010

Estado falta a Assembleia Geral da Metro Mondego


Relativamente ao Metro Mondego, as noticias continuam preocupantes, nas páginas do Diário de Coimbra (de hoje):
“Encontro não deliberativo na Metro Mondego “apenas” serviu para reforçar necessidade de não parar com o projecto na sua totalidade
A presidente da Câmara de Miranda do Corvo diz que o Estado «desprezou» os restantes accionistas da Metro Mondego ao não se fazer representar ontem na Assembleia-Geral da empresa, convocada por Carlos Encarnação, a pedido de Fátima Ramos, para questionar a tutela sobre a recalendarização do projecto e reforçar a importância da continuidade das obras.
«Estou desiludida», desabafou a autarca, no final da assembleia, que, por falta de quórum (o Estado é accionista maioritário) acabou por ser um encontro entre os restantes accionistas, sem qualquer carácter deliberativo. «O Estado manifestou, com esta ausência, desprezo por nós. Devia cá ter estado. Tinha obrigação de vir aqui», continuou Fátima Ramos, lamentando que a pressão que pretendia fazer ao Governo com a convocação da reunião não tenha resultado.
«O Estado entendeu que ainda não estava preparado para vir discutir de forma mais concreta os planos que eventualmente tenha. Ainda não tem elementos necessários para tomar uma decisão em relação ao escalonamento do projecto», explicou aos jornalistas Álvaro Maia Seco, que foi informado «a título de cortesia» das razões da ausência do maior accionista da Metro Mondego na primeira Assembleia-Geral convocada após ter sido avançada a possibilidade de o Sistema de Mobilidade do Mondego ser uma das obras adiadas no âmbito do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC).
Nada que diminua a desilusão de Fátima Ramos, para quem cumprir a calendarização deste projecto, «apesar da crise», é uma questão «de justiça» para com as populações dos três concelhos servidos pela Linha da Lousã. «Tínhamos uma linha que funcionava, um meio de transporte com mais de cem anos que servia população de três concelhos. O Estado só tem de realizar o investimento, no prazo estipulado», continuou a autarca.
«Vamos imaginar que estamos em Lisboa, que a Ponte 25 de Abril tem um problema e é deitada abaixo. Alguém acredita que a ponte não era reconstruída só porque estamos a atravessar uma crise?», questionou, crítica, não tendo dúvidas de que «não avançar agora com a obra é uma atitude criminosa» do Estado.

Autarcas de Coimbra e Lousã menos críticos
Este é também o ponto de vista de Álvaro Maia Seco. «Acho que o Estado deve ter em consideração que, ao contrário de outros projectos adiados, este já está em curso e não há vantagens em não completar o que está em curso», afirmou. E, apesar de o projecto ter sido dividido em várias empreitadas, «o Estado não pode assumir que cada uma delas é um projecto em si mesmo. É uma parte de um todo, que tem de ser concretizado», continuou o presidente do Conselho de Administração da Metro Mondego.
Para Maia Seco, assim como para Fátima Ramos, é «menos penalizante suspender uma obra que ainda não arrancou do que suspender o metro, que já tem trabalhos iniciados, e que, ao já ter avançado, a sua interrupção pode prejudicar milhares de utentes», já para não falar em indemnizações e outras perdas financeiras associadas ao processo. «Há um conjunto de condicionantes que existem neste projecto que não existem noutros», afirmou o responsável que, apesar de informado, concordou que «seria importante» e «mais produtiva» a presença de representantes do Estado na Assembleia-Geral.
Na reunião estiveram representantes da REFER e da CP e Fernando Carvalho, presidente da Câmara da Lousã, que, em declarações ao Diário de Coimbra, garantiu que não tomará posição enquanto, da parte do Estado, não houver indicação sobre se se manterá ou não o calendário inicial.
«A mim, ainda ninguém me disse que iria ser modificado o cenário base», afirmou, «embora me tenham informado da existência de dificuldades financeiras e económicas em relação a este projecto». O autarca adiantou que estão a decorrer reuniões entre os secretários de Estado dos Transportes e das Finanças para avaliar o projecto e que, por isso, espera o resultado dos encontros para tomar posição.
A Assembleia-Geral de ontem foi presidida por Carlos Encarnação que também lamentou a ausência do Estado. Em representação da Câmara de Coimbra esteve João Paulo Barbosa de Melo. Para o vice-presidente da autarquia, «não passa pela cabeça dos accionistas [da Metro Mondego] que o projecto não seja levado até ao fim na sua inteireza», incluindo no trajecto urbano.”
Fonte - Diário de Coimbra

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