quarta-feira, novembro 18, 2009

“Não TRAMem a nossa linha”

Utentes temem caos na linha a partir de Janeiro

O Movimento de Defesa do Ramal da Lousã considera insuficiente o número de autocarros disponibilizados para servir 3.000 utentes diários

Foram duas as «questões essenciais» – «as vias de acesso, que estão na mesma, e o número de autocarros, que não vão ser suficientes», como afirmou Isménio Oliveira –, que levaram o Movimento de Defesa do Ramal da Lousã (MDRL) a organizar, ontem, no apeadeiro de S. José, mais uma concentração/protesto contra as obras de requalificação daquela linha, que decorrem no âmbito da implementação do Sistema de Mobilidade do Mondego e da introdução do tram-train.


«Como é que vão encerrar a linha, se as condições não estão criadas?», questionou Isménio Oliveira, do MDRL, apelando a que os utentes, que esperavam pelo comboio das 17h15 com destino a Serpins, não embarcassem em sinal de protesto. Um repto aceite por 50 por cento das pessoas que estavam no apeadeiro de S. José, pois as restantes, apesar de considerarem as reivindicações «justas», lá foram apresentando razões para não ficarem “apeadas”.


Apesar da notada presença de vários agentes da PSP, a “Tribuna Pública”, que se prolongou por cerca de duas horas, decorreu sem incidentes, com a tarja “não TRAMem a nossa linha” colocada em local de destaque. «Os autocarros não vão ser em número suficiente para servir 3.000 utentes por dia, o que dá um milhão por ano. Vão chegar tarde aos seus empregos, correndo até o risco de serem despedidos por não chegarem a horas», argumentou Isménio Oliveira, que, de megafone em punho, logo criticou: «Os utentes não podem ser cobaias de um custo de 300 milhões de euros».


Gostaríamos de ter aqui mais gente”


Após lembrar, mais uma vez, que «a electrificação da linha podia ficar por um quarto do preço», o membro do MDRL sublinhou que o encerramento do ramal «não serve os interesses da população, mas o de meia dúzia de interessados que estão a ganhar fortunas», exigindo, por isso, «respeito pelos interesses dos utentes». «Acima de tudo, corremos o risco de ficar sem comboios», avançou Isménio Oliveira, sublinhando a importância da participação nas iniciativas do Movimento.

«Gostaríamos de ter aqui mais gente, mas os que estão sabem que temos razão. Os que não têm participado nas nossas iniciativas e julgam, também, que o metro vai ser uma grande coisa, daqui a dois ou três meses, quando os comboios não circularem nesta linha e chegarem atrasados aos seus empregos, vão dizer por que é que não apoiámos o MDRL», prosseguiu o conhecido dirigente associativo dos agricultores, dando conta que «o que já gastaram até hoje com as administrações da Metro Mondego já dava para fazer a electrificação da linha».


Segundo o elemento do MDRL, «o encerramento não vai durar dois anos, nem três, nem quatro e até desconfiamos que não voltamos a ter comboio na nossa linha», solicitando, de seguida, «a garantia que os prazos das obras vão ser cumpridos». Entretanto, estão já marcadas mais duas concentrações promovidas pelo MDRL. No próximo domingo, às 15h00, em frente à Câmara Municipal de Miranda do Corvo. No dia 1 de Dezembro, à porta dos Paços do Concelho da Lousã, no acto de lançamento de um livro sobre os 100 anos do ramal e véspera do encerramento do primeiro troço para o arranque das obras.


As «condições mínimas exigidas» estariam garantidas, na opinião de Isménio Oliveira, «se fizessem mais paragens e se as vias de acesso nos três concelhos [Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra] estivessem arranjadas». «Em Dezembro, vão encerrar a linha entre Serpins e Miranda. Em Janeiro, vão fechar de Miranda a Coimbra. Sabemos que os utentes vão ter grandes problemas com as obras, quando a electrificação resolvia o problema de forma muito mais barata e sem encerrar a linha», concretizou.

Dois anos para uma obra dividida em mais de 10 empreitadas?”


Além da distribuição de um folheto, onde, por exemplo, era pedido aos «senhores da CP/Metro/Refer» para que «não nos tramem mais a vida», o Movimento de Defesa do Ramal da Lousã perguntava: «Como podem propagandear um prazo de dois anos para uma obra dividida em mais de 10 empreitadas, a maioria por adjudicar e sem ainda ter sido lançado o parque de manutenção e oficinas?».


Ramal centenário merece respeito”, “não TRAMem a nossa linha”, “protestamos em defesa dos nossos direitos e do interesse público”, “utentes exigem respeito, mentiras não!” e “não danifiquem, electrifiquem” foram algumas das faixas exibidas no protesto, onde também esteve José Manuel Pureza, deputado eleito pelo Bloco de Esquerda no círculo eleitoral de Coimbra para a Assembleia da República.



Utente, «há 20 e tal anos», da linha da Lousã, Maria Filomena Rodrigues lamentou que estejam «a castigar os utentes de todas as maneiras», defendendo a electrificação da linha. Apesar de viver no concelho de Penela, apanha todos os dias da semana, o comboio em Miranda do Corvo. «Os autocarros? Não me convencem, pois não vão ser suficientes», concluiu.

Fonte: Diário de Coimbra



«Aproveitamos para informar que esta acção do MDRL contou com a adesão de mais de uma centena de utentes que, atrasando o regresso a casa para o comboio seguinte, puderam assistir (e alguns participar) na tribuna pública de informação e debate que ali decorreu entre as 17 e as 18h30.


A luta continua foi de uma das palavras de ordem mais ouvida, entre muitas outras, tendo já sido anunciada uma nova concentração-protesto e tribuna pública para Miranda da do Corvo, a realizar no próximo domingo, dia 22 de Novembro de 2009, a partir das 15 horas, na praça José Falcão.

Agradecendo toda a colaboração, apresentamos as cordiais saudações de

A Comissão Promotora do MDRL»


As fotos foram gentilmente cedidas pelo MDRL




1 comentário:

Anónimo disse...

Será que foi assim tão importante a presença do sr. Pureza na concentração em Coimbra?
Eu que estive lá nem dei por ele!
Para um deputado eleito pelo Distrito julgo que alguma coisa deveria ter feito. Mas a propósito!
Onde estava o Bloco quando foram entregues as Petições na Assembleia da República?
Já agora também lá vi a candidata à Câmara Municipal de Miranda do Corvo pela CDU.

Mas isso se calhar não é assim tão importante?????

O .zezinho continua atento

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