sexta-feira, novembro 23, 2007

Mosteiro de Semide em Obras!


«É desta», afirma a presidente da Câmara de Miranda do Corvo, perante a recente informação do gabinete do primeiro-ministro que dá conta da existência de verba para a realização das obras da 2.ª fase de recuperação do Mosteiro de Semide.

Coincidência ou não, nas vésperas da conferência de imprensa marcada pela Câmara Municipal de Miranda do Corvo para denunciar o atraso nas obras de requalificação do Mosteiro de Semide, o gabinete do primeiro-ministro informou a autarquia de que foi já aprovada uma portaria e que existe um protocolo assinado no qual está definida uma verba de dois milhões e meio de euros, dos quais 400 mil afectos a 2007, para avançar com a 2.ª fase da requalificação do mosteiro. A presidente da Câmara de Miranda do Corvo está, por isso, convicta que as obras no monumento nacional vão arrancar ainda este ano. Caso contrário «poderá perder-se irremediavelmente um património de valor inestimável, quase milenar».
As obras de recuperação do Mosteiro de Semide foram alvo de um protocolo celebrado em 1999, entre o Instituto do Emprego e Formação Profissional e a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. A 1.ª fase das obras só viria, contudo, a arrancar em 2003, sendo concluída no ano seguinte. Nesta altura teve início a preparação da 2.ª fase da obra (construção de salas que vão ser utilizadas pelo CEARTE, recuperação e consolidação do claustro e construção de uma sala que vai funcionar como museu de arte sacra), para a qual chegou a existir uma verba para permitir o início imediato desta empreitada. «Não se compreende que a obra não tenha ainda arrancado, passados que estão quase quatro anos após o final da 1.ª fase», lamentou ontem, em conferência de imprensa a presidente da autarquia.


Mas os “azares” do mosteiro não se ficaram por aqui. No ano passado as obras foram novamente adiadas na sequência de um despacho do secretário de Estado Adjunto e do Orçamento e, apesar «apesar das fases do concurso estarem concluídas e a obra preparada para se iniciar, a mesma não foi adjudicada e consignada» por problemas administrativos que dificultaram a resposta a solicitações do Tribunal de Contas, criticou Fátima Ramos.


São «adiamentos sucessivos e inexplicáveis» que levaram a autarquia a fazer diligências junto de todas as entidades (Governo, Assembleia da República e secretário de Estado da Cultura). «Felizmente, na sexta-feira fomos informados pelo gabinete do senhor primeiro-ministro que foi aprovada uma portaria e que existe protocolo assinado com validade de dois anos, no qual está definida uma verba de 2.500.000 euros, dos quais 400.00 euros são afectos a 2007», disse Fátima Ramos, que aguarda agora apenas pela publicação da portaria para que as obras e iniciem. «Acho que agora não há razões para que não comecem com as obras. Acredito que é desta», afirmou Fátima Ramos para quem a não realização das obras em falta coloca em risco o monumento que é património nacional e que, para além de todo o seu valor arquitectónico, é um mosteiro «com vida», onde funciona uma vertente formativa (pólo do CEARTE) e uma social (lar da Caritas Diocesana de Coimbra).



Mosteiro “vítima” de várias catástrofes



Obras urgentes para que não se perca o que ainda resiste



Fundado em 1154, o Mosteiro de Santa Maria de Semide foi inicialmente ocupado por monges beneditinos, transformando-se, mais tarde, num convento de freiras. Ao longo dos anos foram muitas as catástrofes que o atingiram e que ditam agora uma intervenção urgente. Só incêndios foram três, de grandes dimensões. Em 1664 um incêndio devorou a maior parte do edifício que foi reconstruído em 1697, com a actual igreja. Em 1964 novo fogo destrói a ala poente e, mais recentemente, em 1990, um outro incêndio destruiu o claustro velho, a casa do capítulo e a sacristia. A 25 de Outubro de 2006 parte do claustro ruiu. «No ano passado, aquando das intempéries, perdeu-se parte do claustro quinhentista. Urge iniciar de imediato as obras para que não se perca o restante», afirma a presidente da autarquia para quem a não continuidade das obras põe em risco o património e as intervenções já realizadas em 2003.”


in Diário de Coimbra

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