sábado, março 29, 2008

Milimetro de Superfície (1)

Recortes de Imprensa:

«Sobe de tom contestação ao “metro” na Solum

A proposta final do traçado do metro ligeiro de superfície, que prevê a passagem junto às escolas da zona da Solum, é hoje votada na reunião do executivo camarário. Enquanto a Metro Mondego (MM) defende que o percurso «é uma solução excelente», os pais dos alunos mobilizam-se na contestação pública e esta tarde estarão na autarquia.



Depois de terem reunido, no final de Fevereiro, com o presidente da MM, Álvaro Maia Seco, os pais e encarregados dos alunos das escolas da Solum quiseram conhecer o estudo que sustenta a opção conhecida como “Variante da Solum”, alternativa que colocará o “metro” a atravessar o coração daquela zona da cidade, e a passar, de dois minutos e meio em dois minutos e meio (a horas de ponta), “às portas” de três escolas.


O Jardim-escola e a Escola Primária João de Deus, na Rua D. João III, e o infantário do agrupamento de escolas Eugénio de Castro, na mesma artéria, são os três estabelecimentos de ensino que ficarão “a ver passar” o metro, caso o traçado previsto seja aprovado logo à tarde, na votação do executivo camarário.


A reunião terá a presença do presidente da MM mas também de alguns pais que contestam a decisão, sobretudo agora que conhecem o estudo efectuado, de 15 páginas, e usado para legitimar o percurso. Para os pais, aliás, é o próprio autor do estudo a apresentar «de forma objectiva e rigorosa, o seu ponto mais fraco», realça um dos encarregados de educação que contesta o traçado previsto.


«Os dados que deram origem a este relatório, que são dados de um estudo de procura realizado em 2002 para a opção anterior do metro, não podem ser usados com a exactidão necessária para se fazer agora o estudo de procura nesta zona da Solum», nota Joana Matos Dias, realçando que é o próprio autor do estudo, a que entretanto teve acesso, quem o diz.


Refira-se que o estudo da MM estima um aumento do número de utentes na ordem dos 4200 por dia, previsões que, na opinião dos que contestam este traçado, são «muito irrealistas». «A mim não me convencem», confessa Joana Matos Dias, notando que só aceitaria estas previsões mediante um estudo actual e que levasse em conta todas as condicionantes. «É preciso definir novos fundamentos», realça, reafirmando que perante as dúvidas levantadas pelo próprio autor do estudo, «as conclusões que se tiram são todas muito passíveis de críticas, como é normal».



“Metro tem de passar onde há pessoas”



Mais, segundo Joana Matos Dias, Álvaro Maia Seco terá justificado junto dos pais a opção por esta variante para que, acusou a encarregada de educação, «o Metro não seja um buraco financeiro». Um argumento de cariz económico que desassossega ainda mais os pais, que dizem tão pouco acreditar nas garantias de segurança dadas pelo presidente da MM.


«Neste estudo o autor diz que não foram considerados os transportes colectivos naquela zona porque não têm representatividade», exemplifica a encarregada de Educação, dizendo que lhe custa, por isso, acreditar nos mais de 4000 utentes estimados, por dia, quando é o próprio autor a não considerar o transporte público representativo.


Acreditando que o executivo não aprove hoje o traçado, ou, pelo menos, que adie a decisão, Joana Matos Dias confirma que alguns pais vão estar hoje na Câmara para dar conta dos «muitos pontos fracos» que encontram no estudo que sustenta a variante da Solum, bem como dos receios da maioria.


Já Ana Isabel, mãe de um aluno do João de Deus, faz eco dos receios dos pais mas, mais, fala também enquanto moradora naquela zona da cidade. «O metro a passar perto de uma escola e numa zona pedonal não é uma solução viável para ninguém», defende Ana Isabel, acrescentando que de «todos os moradores com quem tenho falado sobre o assunto ainda não houve um que entendesse a solução». «Se não houvesse trânsito, ou se o percurso fosse razoável como alternativa para quem aqui mora, ainda seria aceitável», desabafa Ana Isabel, notando que «não foi feito qualquer tipo de estudo» neste contexto.
Pais e encarregados de Educação só terão ficado a saber deste traçado depois de uma carta enviado pela directora de uma das escolas, motivo que os leva a contestar ainda mais este processo, que qualificam de pouco claro e desenvolvido sem os esclarecimentos necessários.

Presidente da MM diz que receios são injustificados



Confrontado com os medos dos pais, Álvaro Maia Seco diz compreender os receios de «alguns deles», mas alega que «estes não são justificados», defendendo que a solução prevê «um afastamento de mais de seis metros das escolas». A isso, somar-se-à «a baixa velocidade dos veículos ferroviários, de cerca de 30 quilómetros por hora», factores que garantem, segundo o responsável da empresam, a segurança da passagem do metro ligeiro naquela zona pedonal.


Às críticas ao estudo, o presidente da MM reage com o facto de ele próprio ter participado, na altura e enquanto professor na Universidade, no tratamento dos dados, e frisa que nem sequer «(os dados) levaram em conta os utentes do Dolce Vita, entretanto construído, nem o impacto deste centro comercial na procura que poderá provocar».


«Os dados que temos de procura potencial são claramente suficientes para justificar a adopção da solução», reitera Álvaro Maia Seco, acusando quem critica o estudo de não ter, também, «nem estudos nem dados» que digam que não haverá os utentes estimados.


O presidente da MM admite mesmo que até está «feliz com esta controvérsia» e diz que espera que a cidade diga de uma vez «se quer ter metro ou não quer ter metro», acrescentando que «não vale a pena querer metro se não o queremos nos sítios onde há pessoas».
«O metro é uma solução eminentemente de carácter urbano, que se destina a circular junto das pessoas; só faz sentido se houver procura». Álvaro Maia Seco vai estar esta tarde na Câmara para esclarecer os vereadores sobre o traçado, que acredita venha a ser aprovado; já Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal, alega que houve uma semana para se reflectir sobre o assunto, depois da apresentação do Metro, há oito dias.


«São duas posições diferentes que têm de ser dirimidas», nota o autarca, que não quis antecipar o que poderá acontecer logo, na votação, e optou por não dar, nesta altura, a sua opinião sobre o assunto. «Numa questão tão controversa», disse o edil, «darei a minha opinião na reunião», sendo que o próprio presidente solicitou à MM um conjunto de informações sobre o metro de superfície, as quais ainda não recebeu, e, por isso, poderá ser admissível o adiamento da votação.

In Diário de Coimbra

À volta do Metro de superfície…

Histórias…

2 comentários:

Anónimo disse...

Mas quem é que comenta isto ?...
Nem eu !...

Mário Nunes disse...

Conforme já referi uma vez, só vem aqui quem quer.
Este é um espaço livre, sem amos e nem senhores.
Onde se respira ar puro.
E onde se fala e se coligem informações sobre Miranda do Corvo, Lousã e Penela, que possam ser úteis a todos.
Uma Boa Tarde e aproveite o Domingo que está solarengo.

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