segunda-feira, julho 07, 2008

Apresentação Pública do Lançamento do Concurso Público Internacional para o Material Circulante do Sistema do Metro Mondego


«Realizou-se no passado dia 30 de Junho, no Cine-Teatro da Lousã, a Apresentação Pública Do Lançamento Do Concurso Público Internacional Para O Material Circulante Do Sistema Do Metro Mondego. Esta importante Cerimónia que contou com a presença da Secretária de Estado dos Transportes, Engenheira Ana Paula Vitorino, teve início às 11:30h com o discurso de boas vindas do Presidente Câmara Municipal da Lousã, Dr. Fernando Carvalho, na qual podemos destacar da sua intervenção, a firmeza de posição pessoal no que concerne à questão da manutenção da ligação a Serpins e no reconhecimento do papel fundamental que a Engenheira Ana Paula Vitorino teve na qualidade de Secretária de Estado dos Transportes, no impulso do Sistema do Metro Mondego.

De seguida, usou da palavra o Presidente da Metro Mondego, Prof. Álvaro Seco, que realçou o facto de apesar de ter encontrado em Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo, muito cepticismo relativamente à concretização do projecto, a verdade é que as obras já se encontram a decorrer a bom ritmo e o lançamento do Concurso Público Internacional do Material Circulante, contribuirá decisivamente para ultrapassar muito deste cepticismo.

Por último, as muito aguardadas palavras da Senhora Secretária de Estado dos Transportes que, atendendo à relevância do Projecto para a região, salientou no seu discurso: «Hoje é um marco histórico na mobilidade da região do Vale do Mondego abrangendo três Municípios – Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra. O lançamento do Concurso Público Internacional do Material Circulante para o Sistema de Mobilidade do Mondego constitui um ponto de viragem de um projecto estruturante para a mobilidade desta região e que por demasiadas vezes tem sido adiado. Assim, após o início das obras de construção das três interfaces previstas para o Ramal – Lousã, Miranda do Corvo e Ceira, cuja conclusão ocorrerá ainda este ano, surge agora o lançamento do Concurso do Material Circulante com vista a assegurar o seu fornecimento quando as obras de modernização do Ramal da Lousã estiverem concluídas. O concurso prevê um fornecimento inicial de 20 a 22 veículos para o serviço suburbano com prazo de entrega de 26 meses e um fornecimento adicional de 16 a 20 veículos para o serviço urbano em regime de opção livre de aquisição, num investimento total estimado em cerca de 60 milhões de euros. Este material circulante terá elevados padrões de conforto e segurança e estarão equipados para circular com prioridade nos cruzamentos com a rodovia, em meio urbano, e nas passagens de nível remanescentes entre Coimbra e Serpins. Fica assim garantida uma exploração eficaz e fiável para satisfação dos passageiros, contribuindo definitivamente para a melhoria das condições de vida das pessoas e da mobilidade na região, mas também ficam garantidas boas condições de adaptação ao meio envolvente, diminuindo os impactes negativos sobre o território. Por outro lado, as regras do concurso também obrigam que, no mínimo, 80% dos veículos sejam montados no nosso País, reflectindo uma preocupação de que parte deste investimento público se destine ao tecido empresarial nacional. Esta é, portanto, uma boa notícia, quer para a região, quer para o País. Esta é também a prova inequívoca do empenhamento do Governo e da irreversibilidade do Sistema de Mobilidade do Mondego. Minhas Senhoras e meus Senhores, Quero também dar nota da evolução prevista para as obras de electrificação e requalificação de todo o ramal da Lousã. De forma a acelerar todo o processo, as obras de modernização ao longo do Ramal da Lousã, entre Serpins e Coimbra B, serão divididas em cinco empreitadas. No prazo máximo de um mês será lançado o concurso para a primeira empreitada, no troço compreendido entre Lousã e Miranda do Corvo, o que permitirá iniciar as obras durante o primeiro trimestre do próximo ano. Ainda este ano, até Outubro, será lançado o concurso relativo ao troço Miranda do Corvo / Alto de S. João. Os concursos relativos aos restantes três troços – Alto S. João / S. José; S. José / Coimbra Cidade e Coimbra Cidade / Coimbra B – serão lançados durante o primeiro semestre de 2009.

Este é um plano ambicioso de recuperação, electrificação e requalificação de todo o ramal da Lousã. E a única forma de requalificar o ramal da Lousã é fazer obras no ramal da Lousã. E falemos claro, deixemo-nos de demagogias! Para fazer obras no ramal da Lousã é preciso interromper o serviço ferroviário durante cerca de dois anos após o início das obras. E não adianta pensar que poderia ser de outra maneira. Para fazer obras de fundo no ramal da Lousã, fosse qual fosse a solução, teria sempre que ser interrompido o serviço. Queremos é fazê-lo minimizando os incómodos para os cidadãos: no mais curto espaço de tempo e disponibilizando transportes alternativos o mais confortáveis possível. Mas depois dos incómodos vêm os resultados, vêm os benefícios para os cidadãos. O novo sistema de mobilidade, mais confortável, mais rápido, mais seguro, mais fiável, entrará em operação, entre Serpins e Coimbra Cidade, em Fevereiro de 2011, e até Coimbra B em Outubro de 2011.

Confesso que não tem sido fácil chegar a esta fase e tenho perfeita consciência que a concretização do plano traçado obriga ainda a um intenso trabalho que não depende só do Governo. Do lado do Governo podem contar com o mesmo empenho que tivemos desde o primeiro dia para a concretização deste projecto, como aliás comprovam as obras que estão a decorrer nas interfaces da Lousã, Miranda do Corvo e de Ceira, o lançamento do presente concurso, ou o plano que acabei de anunciar. Empenho em trabalho, mas também de afirmação e resistência num esforço continuo para credibilizar todo um investimento essencial para a mobilidade de uma vasta população e que infelizmente se vê demasiadas vezes inadvertidamente utilizado para servir os interesses de alguns numa atitude populista e demagógica. Verdade se diga que não é caso único, pois parece que virou moda – a falta de ideias é compensada com um discurso do “bota abaixo” e de “pôr tudo em causa”. O que antes é verdade, agora é mentira. Não interessa que anteriormente tenham sido chamados a exercer funções com responsabilidades governativas e tenham tomado decisões de realização de investimentos, numa conjuntura em que o País não tinha assegurado a sua consolidação orçamental e até, permitam-me que recorde a expressão utilizada, “estava de tanga”. Atente-se ao histórico do projecto do Metro do Mondego. Em 24 de Janeiro de 2002 foram aprovadas as primeiras bases de concessão, em 6 de Dezembro de 2004 foram introduzidas alterações nas bases de concessão, o que demonstra bem a vontade dos Governos da época em realizar este investimento. Mas outros exemplos podemos apontar de decisões tomadas então em matéria de investimentos em infra-estruturas no sector de transportes e que agora parecem ser questionadas. Neste enquadramento político onde tudo parece valer, menos o bom senso, o Governo numa atitude responsável tem procurado seleccionar criteriosamente uma carteira de investimentos que promovam o desenvolvimento económico e que sejam factores de criação de riqueza, contribuindo para a competitividade nacional. Só assim, podemos criar confiança quer nos agentes económicos, quer na população em geral. Por todas estas razões, o Governo tem mostrado grande disponibilidade em discutir os projectos e, quando se justifica, introduzir as melhorias necessárias de forma criteriosa, mas garantindo sempre os compromissos assumidos, sem fugir às suas responsabilidades quando é chegado o momento de decidir. O Sistema de Mobilidade do Mondego não foge a esta regra! Como é sabido, o rumo que pretendemos para o projecto passa por desenvolver um novo conceito integrado de mobilidade regional, em que o sistema ferroviário ligeiro desempenhará um papel estruturante no sistema de transportes da região, articulando os concelhos de Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo. Assim, na actual solução, no modelo defendido por este Governo, foram introduzidas diversas melhorias ao projecto, respondendo aos anseios da população. A primeira passa por adoptar a mesma solução tecnológica para todo o Sistema com a opção de electrificar todo o Ramal da Lousã, numa opção racional quando se assiste a uma escalada dos preços do petróleo. A segunda é relativa à inclusão na Etapa 1 da extensão a Coimbra B, o que irá permitir assegurar desde logo as ligações ao centro da cidade de Coimbra, bem como à rede ferroviária pesada, convencional e futuramente à Alta Velocidade. A terceira que se encontra em fase de estudo e que depende também da posição final que vier a ser assumida pela Câmara Municipal de Coimbra, passa por desviar em alguns pontos a linha do actual canal, aproximando o Sistema ligeiro dos locais onde estão as pessoas. A quarta com a introdução de veículos de tipologia tram train com a reabertura da operação ferroviária e cujo lançamento do concurso assinalamos hoje.

Estamos a falar de um investimento total de cerca de 285 milhões de euros. Representa com certeza um grande esforço para o País, mas também representa um grande benefício para as populações. Este investimento representa uma aposta na melhoria da qualidade de vida das populações desta Região, mas também num modo de transporte mais sustentável do ponto de vista ambiental e energético, como é o caminho-de-ferro. O SMM integra-se na política de transportes do Governo que reconhece grandes potencialidades aos modos de transporte colectivos de superfície, enquanto elementos que permitem a articulação das redes pesadas de transportes e as redes de distribuição de proximidade, permitindo igualmente configurar soluções que satisfaçam integralmente as cadeias de mobilidade. Hoje estamos aqui para demonstrar a nossa determinação para que o projecto do Sistema de Mobilidade do Mondego avance com celeridade, com rigor e de forma sustentada. Para tal, continuamos a contar com a colaboração de todos, em particular dos Municípios, para juntos tornarmos o Sistema numa realidade. Agradeço, por isso, na pessoa dos presidentes dos Municípios aqui presentes todo o contributo que têm dado e que estou certa continuarão a dar. Por último, não queria deixar de enaltecer o trabalho conjunto desenvolvido pela Metro Mondego, CP, REFER e Ferbritas para que pudéssemos hoje assistir a esta cerimónia que marca o princípio de uma nova realidade para o Sistema de Mobilidade do Mondego. Muito obrigada pela vossa atenção.»

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