quarta-feira, julho 02, 2008

Irreversível... Dizem Eles!


«Na sessão que assinalou o lançamento do concurso público internacional para aquisição das composições que irão circular no Ramal da Lousã, Ana Paula Vitorino enfatizou que se trata de «uma prova inequívoca do empenho do Governo e da irreversibilidade do Sistema de Mobilidade do Mondego».


O concurso, que será publicado brevemente no Diário da República, prevê o fornecimento de 20 a 22 veículos para o serviço suburbano, com um prazo de entrega de 26 meses, assim como mais 16 a 20 composições que circularão na cidade de Coimbra, num investimento que ronda os 60 milhões de euros.


A governante esclareceu que se trata de equipamento com «elevados padrões de conforto e segurança», considerando que «fica, assim, garantida uma exploração eficaz e fiável, para satisfação dos passageiros, contribuindo definitivamente para a melhoria das condições de vida das pessoas e da mobilidade na região».


Tendo em conta que as obras do interfaces de Ceira, Miranda do Corvo e Lousã já decorrem, devendo estar terminadas até ao final do ano, Ana Paula Vitorino confirmou que, como a administração da Metro Mondego já tinha anunciado, «no prazo máximo de um mês, será lançado o concurso para a primeira empreitada, no troço compreendido entre Lousã e Miranda do Corvo, o que permitirá iniciar as obras durante o primeiro trimestre do próximo ano».

A secretária de Estado dos Transportes garantiu ainda que, «ainda este ano, até Outubro, será lançado o concurso relativo ao troço Miranda do Corvo/Alto de S. João», explicando que os restantes três troços (Alto de S. João/S. José, S. José/Coimbra Cidade e Coimbra Cidade/ /Coimbra B) serão levados a concurso no primeiro semestre de 2009.


Trata-se de um investimento global da ordem dos 285 milhões de euros que a governante quer ver a funcionar entre Serpins e Coimbra Cidade (junto à Portagem) em Fevereiro de 2011, prevendo inaugurar a ligação a Coimbra B em Outubro do mesmo ano.


Apesar das reticências de alguns intervenientes, nomeadamente a autarquia de Coimbra, ontem representada por Manuel Porto, Ana Paula Vitorino garantiu ontem, na sessão realizada no Cine-Teatro da Lousã que todo o traçado será dotado da mesma opção tecnológica, electrificado a 750 volts de corrente contínua, confirmando também a ligação a Coimbra B, permitindo o interface com a rede ferroviária pesada convencional e a futura alta velocidade.
Para a governante, são também vantagens das alterações ao projecto original a opção pelo tram-train, assim como o traçado proposto para a Solum, que «passa por desviar em alguns pontos a linha do actual canal, aproximando o sistema ligeiro dos locais onde estão as pessoas».


Ana Paula Vitorino recordou que se trata de um traçado ainda em estudo «e que depende da posição final que vier a ser assumida pela Câmara Municipal de Coimbra».


Câmara de Coimbra escreve para saber da linha do Hospital


Carta enviada a Ana Vitorino motivou prolongada discussão sobre o metro na Câmara de Coimbra. Encarnação quer “o metro já”



João Henriques na manhã do mesmo dia em que, na Lousã, Ana Paula Vitorino lançou o concurso público internacional para a aquisição das composições que irão circular no Ramal da Lousã, Carlos Encarnação deu a conhecer, para posterior votação, no final da reunião, ao executivo da Câmara Municipal de Coimbra, uma carta endereçada à secretária de Estado dos Transportes.


Após sublinhar que «queremos todos o eléctrico rápido de superfície como grande projecto que abrange a ligação Serpins-Coimbra/B, o percurso urbano de ligação aos HUC [Hospitais da Universidade de Coimbra] e eventuais expansões», o documento, proposto fora da agenda da reunião, lembra que «de fora fica qualquer alusão à linha do hospital».


«Do que se fala, agora, é, apenas, da Linha da Lousã com a questão suplementar do adiamento do concurso entre Coimbra/Parque e Coimbra/B, ou na mais recente comunicação, entre Coimbra/Cidade (Portagem) e Coimbra/B», lê-se na carta, que logo acrescenta: «De acordo, com esta óptica as carruagens concursadas não abrangem, nesta fase, as exigências da linha do hospital», situação que «continua a ser, para nós, motivo de grande constrangimento».


Na carta, aprovada pela maioria, com Pina Prata, Álvaro Seco e Victor Baptista a não participarem na votação, enviada a Ana Paula Vitorino, lembra-se que «na reunião da Câmara Municipal que concluiu, sob condições, estas alterações na zona da Solum, foi referido que se a situação não se apresentasse como estabilizada até ao fim de 2007 se retomaria o percurso já aprovado entre Serpins e Coimbra/B».


«Do que vem afirmado nesta carta [enviada pela secretária de Estado dos Transportes em resposta a uma primeira carta redigida pela autarquia de Coimbra] e, apesar da intenção declarada, conclui-se que para a zona da Solum e a Avenida Fernão de Magalhães é necessário realizar estudos de impacto ambiental que poderão levar a planos de contingência para cumprimento dos novos calendários previstos».


Assim sendo, lê-se na carta, «ganha peso a nossa objecção de fundo». «O que pretendemos é o mais rapidamente possível ver completada a electrificação da linha Serpins-Coimbra/B. Não ignoramos, mesmo, que essas alternativas implicam gastos adicionais no projecto num valor superior a 15 milhões de euros», revela o documento.


«Para acabar de vez com todos os impasses e suspeições», a autarquia de Coimbra solicita que se proceda ao lançamento de todos os concursos da Linha da Lousã, incluindo o troço Parque-Coimbra/B, até final do ano de 2008, entendendo «absolutamente exigível» que o troço da linha do hospital seja concursado até Junho de 2009, assim como diz faltar saber o modelo de gestão do Metro Mondego e os compromissos a assumir pelo Estado.

Oposição crítica


Após a leitura da carta, o vereador eleito pelo PS, Álvaro Seco, disse discordar da «posição assumida pela Câmara», lamentando que uma carta escrita no dia 11 de Junho só ontem tenha sido dada a conhecer ao executivo. Considerando que a passagem do metro no interior da Solum significa melhorar a circulação, o vereador questionou a maioria: «Tem de dizer se não quer o metro na Sá da Bandeira, na Fernão de Magalhães e na Baixa ou se só quer as demolições na Baixa».


«Isto é o capitular de Coimbra em relação ao metro. É um momento histórico negativo. Andamos a brincar ao metro», opinou o antigo vice-presidente Pina Prata, antes do socialista Victor Baptista lamentar «a intenção de também querer resolver isto pela maioria». Segundo o vereador do PS, «o processo do metro tem sido muito preocupante», referindo, ainda, que na carta da secretária de Estado dos Transportes «está tudo bem» e na da Câmara de Coimbra «está tudo mal».


Baptista assumiu que «o presidente, em vez de ter uma atitude construtiva, vai alterando o traçado». «Até fico com a impressão que está a ser tirado o tapete ao vice-presidente», sublinhou, antes de interpretar nas palavras de Carlos Encarnação que este «não concorda com o troço da Solum». O vice João Rebelo disse que «as populações querem que o sistema avance rapidamente e os prazos não sejam mais adiados», assumindo que «as ligações ao Pólo II, Norton de Matos, Solum e HUC têm de ser feitas», assim como a planificação das ligações à margem esquerda e à Pedrulha e Adémia.


«Estou farto e não quero mais atrasos e adiamentos», afiançou Carlos Encarnação, que disse estar «de acordo com as alterações, desde que não coloquem em causa o projecto». «Não quero que estejamos a fazer o metro para substituir a Linha da Lousã», expôs, antes de sublinhar: «Estamos a ver que o percurso com as alterações da Solum e da Fernão de Magalhães vai sofrer atrasos muito consideráveis». A questão fundamental, segundo o autarca, «é se queremos, ou não, o metro já». «Eu quero», concluiu. »

In Diário de Coimbra, 1 de Julho de 2008

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