domingo, outubro 28, 2007

Até Serpins de Comboio

«Excursionistas comemoraram os cem anos do Ramal da Lousã, numa iniciativa do Jornal e Cooperativa Trevim e ainda no âmbito das comemorações do centenário do Ramal da Lousã, vários excursionistas apanharam no passado dia 20 de Outubro, a automotora na estação da Lousã, rumo a Serpins, a fim de visitarem ou revisitarem locais interessantes da vila.

Numa curta viagem, que durou menos de 10 minutos, comentou-se o projecto do tram-train, os futuros preços dos bilhetes e ainda a problemática dos transportes alternativos, aquando das obras no ramal. “Quantos autocarros serão necessários para transportar de manhã tantas pessoas que utilizam a automotora para irem trabalhar para Coimbra”, disse um dos viajantes, aludindo a um artigo de opinião que lera num jornal da região.


O destino era a garganta do Cabril. Mas, o condutor do autocarro, gentilmente cedido pela Junta de Freguesia de Serpins, sugeriu ir ao santuário de Nossa Senhora da Candosa, o que se revelou uma ideia muito interessante, por toda a paisagem possível de vislumbrar daquele local. Junto à capela, descendo umas escadas de pedra, via-se ao longe várias casas que faziam o aglomerado de Vila Nova do Ceira. Uma paisagem registada na retina e nas máquinas fotográficas.


Mesmo em frente, erguia-se ao olhar um morro que constitui um destino turístico e também de investigação científica, local avalizado como de interesse nacional, alvo de muitas visitas de estudo. Caracterizado a nível de estratigrafia como Ordovícico Inferior- Silúrico, tem uma importância excepcional e é conhecido como o “corte geológico do Rio Ceira”.


O flanco nordeste do sinclinal está completo, atingindo mais de mil metros de espessura. Começa com a formação do quartzito armoricano com espessas bancadas de quartzito, atravessadas pelo rio, formando o cabril ou garganta da Sra da Candosa. O corte desenvolve-se no caminho ao longo da margem direita do rio Ceira, abrangendo 12 formações geológicas. Ainda é possível observar diversos fósseis como cruziana, braquiópodes, trilobites e bivalves.


O passeio continuou com uma visita ao Cabril, que emudeceu alguns visitantes pela beleza, tranquilidade e limpidez das águas, convidativas a um banho. Como ninguém ia preparado para tal, tiraram-se fotografias e visitou-se o túnel que ainda chegou a ser aberto para a passagem do caminho-de-ferro que, como é sabido, deveria ter ido até Arganil. O que não sucedeu. O próprio caminho que conduziu os visitantes para a garganta do Cabril era o que estava previsto para a instalação da linha. Embora pisassem terra batida, os viajantes levavam consigo a preocupação do caminho-de-ferro e, sempre nas suas mentes, a defesa da ferrovia.


O caminho de regresso fez-se, como é óbvio, também de automotora e foi ao chegar à estação da Lousã que alguns sentimentos afloraram aos excursionistas: os azulejos a degradarem-se e o armazém e a gare que serão destruídos. Mas nem tudo era mau: a estação estava com melhor aspecto e já tinha alguns bancos, coisa que numa anterior visita, os mesmos excursionistas não tinham podido observar. Foi no interior da estação que Pedro Júlio Malta, presidente da Assembleia Geral da Cooperativa Trevim, fez algumas referências ao livro intitulado “O Caminho de Ferro de Arganil”, publicado este ano por Manuel Fernandes Dias. Os avanços e recuos de uma obra pela qual todos os arganilenses ansiaram, mas que nunca se concretizou. “O nonagenário fez uma investigação que durou muito tempo, porque consultou jornais, documentos oficiais, etc., publicando em fascículos no jornal “A Comarca de Arganil”. O livro fala das guerras entre os sucessivos governos, uns que defendiam a continuação do caminho-de-ferro em via estreita, outros em via larga.


“O Estado Novo terminou com todas as esperanças”, leu Pedro Malta, concluindo valer a pena conhecer a obra, uma vez que demonstra o quanto a população de Arganil desejou o comboio.»

In Jornal Trevim

http://www.trevim.pt/noticia.asp?edcid=277&sccid=109&ntcid=5497

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