sábado, janeiro 01, 2011

“Pela Linha da Lousã marchar, marchar (lentamente!)”


Apesar do pouco tempo de preparação da iniciativa de protesto, dezenas de carros “atrasaram” quem teve de passar pela A1, no sentido Condeixa-Lisboa.

“Pela Linha da Lousã marchar, marchar (lentamente!)” e “Senhor primeiro-ministro, senhores ministros e afins, queremos uma linha férrea de Coimbra - Parque até Serpins”, foram algumas das mensagens de protesto que os manifestantes exibiram sexta-feira, durante a marcha lenta na auto-estrada, em defesa do Ramal da Lousã. Uma marcha que, apesar de acontecer na véspera de ano novo, contou com uma adesão significativa de cidadãos e autarcas dos três municípios envolvidos no projecto do Metro do Mondego - Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã.

Às 8h30 já se acertavam pormenores no parque de estacionamento das ruínas de Conímbriga, em Condeixa, sobre como seria conduzida a marcha lenta e, pelo IC2, já se avistavam alguns elementos da GNR preparados para intervir em caso de necessidade. E também em caso de necessidade, ou melhor, como precaução, muitos dos automobilistas que vieram de Miranda do Corvo esperaram junto a Taveiro e não no ponto de encontro estipulado, caso as autoridades impedissem, de algum modo, a marcha na A1, tal como estava prevista.

Às 9h05 os veículos começaram a sair de Conímbriga em fila e, se inicialmente estava previsto ocupar apenas a faixa da direita em marcha lenta, a cerca de 50 km/h, o que acabou por acontecer foi a ocupação total das duas e, em algumas partes da auto-estrada, três faixas de rodagem, em velocidades que foram variando entre os 30 e os 50 km/h.

Destino: Fátima. Alguns defenderam a ida até Santarém, mas a terra natal dos três pastorinhos acabou por ser a eleita, levando o porta-voz do Movimento Cívico de Cidadãos de Miranda do Corvo e Lousã, Jaime Ramos, a comentar com alguma ironia que podiam todos aproveitar e passar pelo Santuário, para «rezar» para que o Governo ouça a região.

A intenção da marcha, afirmou a presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo, foi precisamente «dar um sinal ao país que a região precisa de acessibilidades, que as acessibilidades são muito importantes». Isto é, criar algum transtorno ao nível da mobilidade a quem saiu de manhã de Coimbra para outros destinos de fim de ano. E o objectivo foi alcançado. Ao longo da A1, alguns lá iam furando o “pelotão” de carros em marcha lenta e outros, desanimados, chegaram mesmo a ultrapassar a marcha pela direita, fora das faixas de rodagem.

“Finalmente estamos todos de acordo”

A maior demonstração de força e, principalmente, de união, veio da parte dos três municípios incluídos no Sistema de Mobilidade do Mondego. Às 8h30 já os presidentes das câmaras de Coimbra, Lousã e Miranda se encontravam no estacionamento, em sinal de apoio à iniciativa de protesto e como eles, marcaram presença vários presidentes das juntas de freguesia, bem como deputados das assembleias municipais, para além de representantes do Movimento Cívico da Lousã e Miranda e do Movimento de Defesa do Ramal da Lousã.

«Desde que estou na Câmara Municipal, pela primeira vez sinto que, quer da parte dos três municípios que estão envolvidos, quer da parte da população, há um objectivo em comum», referiu Fernando Carvalho, presidente da Câmara da Lousã, afirmando-se «extremamente satisfeito por ver que finalmente estamos todos de acordo».

Quanto à união das três autarquias, já evidenciada numa reunião em Coimbra, na última quinta-feira, Fernando Carvalho não hesitou em elogiar a unanimidade alcançada. «Há uma postura hoje do presidente da Câmara de Coimbra completamente diferente da postura que existia com o dr. Carlos Encarnação», concluiu.

Já Barbosa de Melo, presidente da Câmara de Coimbra, defendeu que «em termos de princípio», a postura de Coimbra face ao metro «foi sempre a mesma». «As formas pelas quais pomos em marcha esse nosso protesto, naturalmente vão mudando, à medida que mudam as pessoas, mas há aqui uma unicidade total do princípio», avançou o edil, que elogiou a iniciativa, salientando que «o número de pessoas» presentes «demonstra bem o grau de indignação».

Recusando a ideia de ter outro “bota-abaixo” em Coimbra, com as demolições no centro da cidade para a passagem do metro, João Paulo Barbosa de Melo assumiu poder vir a associar-se a outras iniciativas de protesto, defendendo que a região não pode ser tratada desta maneira, e unindo-se, assim, a Fernando Carvalho e Fátima Ramos, que já se haviam mostrado disponíveis para se associar a formas de protesto democráticas e ordeiras.

Fonte: Diário de Coimbra


1 comentário:

Henriqueta Val-do-Rio disse...

É refrescante poder acreditar que, pelo menos por uma vez, Miranda deixou a queziliazinhas de lado e se uniu por uma causa com valor. Esperemos que sim. Esperemos que singre...

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